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Fernando Calado Rodrigues

Deus existe?

Em todo o ateu habita um crente, que por vezes leva a melhor e então acontece a conversão.

Fernando Calado Rodrigues 12 de Dezembro de 2014 às 06:30

Deus ainda tem futuro?’ é o título de um livro que reúne os contributos de diversos especialistas que participaram na edição do ano passado dos colóquios ‘Igreja em diálogo’, onde foi refletida a questão da existência de Deus.

Esta semana um programa de televisão retomou a questão num debate com crentes e não crentes. A maior virtude destas iniciativas é confirmar a única certeza que se pode ter acerca de Deus: tanto a sua existência como a sua negação não se podem provar racionalmente.

Tanto crentes como não crentes, se forem intelectualmente honestos, sabem que a via científica – ou o método experimental, se quiserem – é inútil para essa questão. Ambos experimentam as mesmas dúvidas acerca do divino. Em todo o ateu habita um crente, que por vezes leva a melhor e então acontece a conversão; e todo o crente é assaltado por dúvidas que o podem levar ao abandono da fé.

Tanto uns como outros, porém, acreditam em muitas outras coisas que não podem comprovar cientificamente, como são muitas das realidades intrinsecamente humanas. Uns e outros não conseguem dar uma definição racional do amor, mas porventura não duvidam de que são amados. Fundam essas certezas em tantos gestos e palavras que confirmam a sua crença no amor, mas continuam a não ter a certeza absoluta da sua fé.

Para nós, cristãos, a definição mais completa da divindade está expressa nas palavras de S. João: "Deus é amor" (1 Jo. 4, 8). Uma definição que brota da experiência de amar e ser amado. A beleza do cristianismo é a de um Deus que dá o primeiro passo ao encontro da humanidade, sem esperar nada em troca, respeitando até a sua descrença.

Ninguém tem a certeza absoluta da sua existência, mas os cristãos leem a história do mundo e a sua história pessoal à procura desses sinais da presença de Deus ou da sua ausência. Descobrem que o podem fazer presente pelos seus gestos de gratuidade, ainda que os que não creem os reduzam a mera filantropia. Não sabem se Deus tem futuro. Mas acreditam num futuro melhor quando tem Deus como horizonte. Deus que os desafia a empenharem-se na transformação e na humanização de um presente em ordem a um melhor futuro. Assim encontram razões para acreditar e dão testemunho da sua fé.

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