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Fernando Calado Rodrigues

Os Papas e a cadeia

Um recluso nunca é um caso perdido, a detenção é uma oportunidade para recomeçar.

Fernando Calado Rodrigues 8 de Maio de 2015 às 00:30
Os cristãos não esquecem que o primeiro Papa esteve preso várias vezes em Jerusalém. E que S. Pedro, no final da vida, passou pela cadeia de Roma e foi condenado à morte, acabando por ser sepultado onde agora se ergue a Basílica com o seu nome.

Com a criação do Estado italiano e a perda dos territórios pontifícios, o Papa Pio IX declarou-se prisioneiro no Vaticano do estado italiano. João XXIII poria fim a essa "autorreclusão papal" e, poucos meses após a sua eleição, no dia 25 de dezembro de 1958, dirigiu-se a um hospital pediátrico fora dos muros vaticanos. A cadeia Regina Coeli foi, no dia seguinte, a sua segunda visita. Dessa passagem ficou a frase do Papa Bom: "Sou José [seu nome próprio], um vosso irmão!"

Paulo VI visitará depois a mesma cadeia e dirá "que se pode ser bom no coração, mesmo quando pesa sobre os ombros uma condenação dos tribunais dos homens".

Na linha do seu antecessor, a 18 de dezembro de 2011, Bento XVI disse aos presos da prisão romana de Rebibbia: "É preciso pensar que todos podem cair, mas Deus quer que todos se aproximem dele. Reconheçam a própria fragilidade, avancem com dignidade e encontrem a alegria na vida". Para a Igreja, um recluso nunca é um caso perdido – e a detenção é uma oportunidade para arrepender-se dos seus crimes, converter-se e recomeçar uma vida nova. Os ordenamentos jurídicos que rejeitam a pena de morte ou a prisão perpétua, por se acreditar na possibilidade da recuperação do criminoso, estão em sintonia com a maneira cristã de encarar a reclusão. Já os que se afastam dela sublinham o caráter punitivo da pena de prisão e negligenciam a reinserção social dos detidos.

O Ano da Misericórdia – que se iniciará a 8 de dezembro e se concluirá no dia 20 de novembro de 2016 – irá promover várias iniciativas que traduzam a "proximidade e atenção aos pobres, aos que sofrem, aos marginalizados e a todos aqueles que precisam de um sinal de ternura".

Estas foram as palavras do arcebispo Rino Fisichella, na apresentação do calendário do Ano Santo, o qual prevê o ‘Jubileu dos Presos’ a 6 de novembro de 2016.

O Papa Francisco quer que, se for possível, alguns reclusos venham à Praça de São Pedro. Não fará sentido celebrar a Misericórdia e esquecer um dos ambientes em que ela pode ser mais benéfica.
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