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Fernando Calado Rodrigues

Os pobres não votam

Se todos os pobres votassem seria diferente a abordagem dos políticos à pobreza.

Fernando Calado Rodrigues 22 de Maio de 2015 às 00:30

A erradicação da pobreza deveria ser o primeiro objetivo da atividade política e, por conseguinte, da governação.

Apesar de o número de pobres ter aumentado em Portugal nos últimos anos, os partidos políticos revelam "alguma insensibilidade e até desconhecimento desta realidade que já afeta cerca de três milhões de portugueses". Foi o que constatou o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN), padre Jardim Moreira, no final de um encontro na Assembleia da República com deputados de todos os partidos. Alguns deles terão mesmo dito que estas matérias serão aprofundadas "só depois das eleições"!

Infelizmente uma grande quantidade dos pobres, como acontece com a maioria dos portugueses, não vota – e os partidos sabem disso. Se todos votassem, seria bem diferente a abordagem dos políticos à pobreza. Todos os programas eleitorais encarregar-se-iam de piscar o olho a esses milhões de portugueses com as mais variadíssimas promessas.

Para atacar este flagelo social não bastam, porém, promessas eleitorais: exige-se um "compromisso para a definição de uma estratégia nacional de erradicação da pobreza". É essa a convicção da EAPN, que há mais de vinte e cinco anos defende a necessidade de atuar a nível das causas estruturais da pobreza e de envolver os pobres e os excluídos na procura de respostas para a sua situação.

A Rede não embarca numa prática assistencialista da solidariedade, que se limita a distribuir esmolas e gera subsidiodependência. Nem acredita, como professam as correntes em voga do neoliberalismo, que o crescimento económico, a competitividade e a inovação, promovam a criação de riqueza e a pobreza desapareça.

A história demonstra que os lucros têm tendência a concentrarem--se na mão de poucos, acabando a maioria por não beneficiar grandemente da prosperidade económica.

Nos tempos de crise, não são os ricos os mais afetados, são os pobres os que mais sofrem. E muitos dos que antes não o eram acabam por ser lançados para níveis próximos do limiar da pobreza. Nesta última crise, que o país atravessa, resvalaram para essa situação mais duzentos mil portugueses.

É por isso urgente um envolvimento de todos – a começar pelos partidos
políticos – na implementação de uma estratégia nacional para a erradicação da pobreza.

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