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Fernando Ilharco

As pessoas estão mais agressivas?

A sensação de que as pessoas estão mais agressivas está generalizada

Fernando Ilharco 11 de Dezembro de 2017 às 11:57

A sociedade actual parece estar crescentemente complexa e agressiva. Desde as agressões nos estádios de futebol à violência dos comentários nas redes sociais, passando pelas histórias de brutalidade física e psicológica que se sucedem na televisão e na internet, o dia-a-dia parece ter vindo a registar um crescendo de agressividade.

A sensação de que as pessoas estão mais agressivas está generalizada. Mas será que essa sensação depende de diferentes experiências pessoais? Variará de pessoa para pessoa em função do envolvimento de cada um nas várias situações em que participa ou de que toma conhecimento? Um estudo publicado na revista científica ‘European Journal of Psychology’ investigou situações desagradáveis, típicas do dia-a-dia, como por exemplo discussões na sequência de acidentes de trânsito e incidentes em espaços públicos. Cerca de duzentos voluntários, divididos em dois grupos, teriam que se imaginar em várias experiências desagradáveis; ora como vítimas, ora como autores de acções antipáticas, avaliando também a importância da situação em causa.

O estudo mostra que a gravidade da situação imaginada era vista de maneira diferente consoante os intervenientes pensassem ser vítimas ou agressores. A maioria que se imaginara na situação enquanto vítima apresentava uma visão do problema mais pesada e dramática, mostrando-se mais alerta e vigilante. Quando se passava o contrário, quando o participante se imaginava como agressor, tendia a suavizar o problema e a defender, mais depressa do que na situação de vítima, que deveria ser perdoado. As posições dos participantes enquanto vítimas e agressores imaginados aproximavam-se apenas quando se pedia a um agressor que imaginasse um amigo como vítima. Aí, a mesma experiência tendia a ser avaliada com níveis de gravidade semelhantes do ponto de vista de quem fazia de agressor e de quem pensava na vítima.

Em conclusão, este estudo mostra que as pessoas tendem a ser mais brandas face à sua própria agressividade e que tendem a ser mais sensíveis e menos compreensíveis face à agressividade de desconhecidos. O que não é familiar incomoda mais e faz ver as coisas com mais gravidade. É um aspecto importante porque a sociedade contemporânea é uma sociedade de comunicação, de movimento e de interacção, em que uma boa parte do tempo se lida com quem não se conhece bem ou não se conhece de todo, quer na vida profissional, nos transportes, nas redes sociais ou no lazer. Lidando com desconhecidos, as pessoas estão mais vigilantes, são menos compreensivas e o mundo surge mais complexo e agressivo, sugere esta investigação.

Texto escrito na antiga ortografia

European Journal of Psychology economia negócios e finanças crime lei e justiça questões sociais
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