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Fernando Ilharco

As vantagens do papel e da escrita

Ler e escrever no papel dá mais prazer, é mais pessoal e compromete mais.

Fernando Ilharco 3 de Dezembro de 2017 às 00:30
Num dia-a-dia dominado pelos computadores e pelos telemóveis ficou a saber-se que o papel e a caneta, escrever em papel com caneta ou lápis e ler livros, revistas ou jornais, não só tem as suas vantagens como há muito boa gente que as reconhece.

Num estudo levado a cabo em dez países asiáticos e europeus, entre os quais Portugal, pela London School of Economics (LSE) junto de 650 estudantes universitários, ficou a saber-se que escrever à mão ou ler livros ou outro material impresso facilita a concentração e leva a uma maior absorção de informação, promovendo por isso mais facilmente novos conhecimentos.

O ambiente digital é a permanência de milhares de estímulos sensoriais que nos rodeiam, puxam pela atenção, pulando de assunto em assunto. Lê-se muito no ambiente digital, mas não se lê linha atrás de linha atrás de linha… nem se lê no papel, mas nos ecrãs.

O uso do papel e da caneta, em geral, cria algum entusiasmo entre os estudantes, revela a investigação da LSE. Um jovem finlandês comentou que o papel e a caneta não são práticos e são lentos, mas são o que lhe dá mais prazer e o que é mais pessoal. Em Itália, os jovens referiram que o papel proporciona um melhor envolvimento sensorial; um dos entrevistados comentou o cheiro agradável do papel… Por comparação com os media digitais, que tipicamente envolvem três sentidos – visão, audição e tacto –, o papel envolve apenas a visão e o tacto. A audição, que é muito absorvente nos media digitais, está ausente no papel.

A escrita e o papel têm, no entanto, uma outra vantagem. Alguns estudos sobre alta performance têm indicado que quanto mais concretos forem os objectivos – por exemplo, concluir o relatório tal e tal, fazer este e aquele telefonema – mais fácil é concretizá--los. Escrever os objectivos, as tarefas que queremos realizar e quando as iremos fazer ajuda a fazer mesmo. Escrever em papel compromete. E liberta a memória para outras actividades, alivia a ansiedade e ajuda a ter o dia seguinte mais controlado e a ter uma noite mais tranquila.

Os media digitais, porque geram um caudal constante de novidades, de variação de imagens, sons e textos, não facilitam o comprometimento, nem a profundidade. A investigação acima referida, apresentada no livro ‘Smartphone Culture’, lembra, contudo, que em aspectos hoje essenciais no dia-a-dia, o papel não consegue competir com o mundo digital; por exemplo, na procura de informação, na correcção e alteração de textos, nas hiperligações, etc.

Concluindo, quer investigar e ser rápido? Digital. Quer absorver e comprometer-se? Papel.
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