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Fernando Ilharco

Como ter sorte de principiante, sempre

Todos nos lembramos de histórias do género. Quando aprendemos a jogar à sueca e na primeira noite dominámos a mesa.

Fernando Ilharco 19 de Março de 2017 às 00:30

Todos nos lembramos de histórias do género. Quando aprendemos a jogar à sueca e na primeira noite dominámos a mesa. Quando um jovem recém-chegado na empresa propõe soluções geniais para problemas que há muito atormentam todos. Quando o caçador caloiro caça mais que todos os outros juntos. Mas existirá mesmo sorte de principiante?

Por um lado, quem começa um novo trabalho, uma nova actividade, costuma estar especialmente atento. Por outro   lado, um principiante sente tipicamente menos pressão do que a que sente uma pessoa mais experimentada, que tem uma posição a defender. Estes dois aspectos podem ajudar a que o principiante arrisque mais e ganhe mais.

Estudos recentes, confirmando aliás investigações do psicanalista suíço Carl Gustav Jung, defendem que o envolvimento emocional e a vontade que as coisas corram bem têm relação com o desempenho individual. A esperança de experimentar novos significados, típica do principiante, pode de facto influenciar o seu desempenho. O principiante costuma ter uma disponibilidade e atenção que às vezes são decisivas para que as coisas corram bem. Outras vezes não é assim. O principiante não tem sorte, mas como era principiante ninguém notou; era o esperado. E sem sorte, esquece.

Já o principiante com sorte destoa; e todos se lembram. A sorte de principiante não está provada. Mas não é o fim da história, porque a crença na sorte de principiante pode ser relevante. Não a sorte, mas a crença que temos sorte, que estamos em maré alta, geralmente tem consequências positivas. No principiante existe ainda um outro aspecto que pode fazer diferença: a expectativa de que tem jeito para o que está a começar, que tem, talvez, um talento escondido que vai revelar–se… Crer, acreditar e fazer e fazer. E às vezes, logo no início, as coisas correm bem.

Começar bem é bom, é motivador. A ciência diz-nos que os recomeços concentram energia e ajudam a atingir objectivos. As mudanças psicológicas ou factuais, um novo projecto, um novo princípio lançam-nos e motivam-nos para aprender e conseguir mais e melhor. É por isto que o principiante tem sorte. É a disposição, a atenção dedicada, o gosto no que faz, a disponibilidade para aprender, a originalidade de pensamento que lhe permitem ir mais longe, que lhe permitem ter sorte.

Não há provas de que a sorte de principiante exista, de que quem começa uma qualquer actividade, um trabalho, um jogo, um projecto, possa ter mais sorte que o normal. Mas as coisas são paradoxais, porque parece que acreditar na sorte de principiante pode mesmo ajudar a que se consiga ter… sorte de principiante.

Fernando Ilharco O segredo de viver
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