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Fernando Ilharco

O corpo comanda a mente

Geralmente acredita-se que a mente comanda o corpo, mas investigação recente aponta crescentemente para o contrário.

Fernando Ilharco 22 de Janeiro de 2017 às 00:30

Geralmente acredita-se que a mente comanda o corpo, mas investigação recente aponta crescentemente para o contrário. A postura corporal, as expressões físicas e os movimentos influenciam em boa medida o que pensamos e sentimos.

Posturas físicas a evitar, por exemplo, são estar de pé com os pés próximos e os braços junto ao corpo, à pinguim; sentado com as pernas juntas e as mãos junto ao corpo ou de mãos dadas em cima das pernas; de pé ou sentado com as pernas juntas e os braços cruzados, como que a esconder-se; ou sentado na secretária, inclinado para a frente, com os braços a minimizarem o espaço que ocupam. São posições de pouca afirmação, que diminuem a testosterona, a química da confiança e do poder, e fazem subir o cortisol, a hormona que faz subir o stress. São posturas que diminuem o bem-estar e o à-vontade.

A separação entre o corpo e a mente é apenas teórica, evidentemente. É uma herança do Iluminismo e das teses de Descartes (1596-1650), sobre as quais assentou o método científico e em boa parte o progresso destes últimos séculos. Mas não há uma verdadeira separação corpo-mente por causa das redes de comunicação entre os sistemas neurológico e imunitário e as glândulas cuja química interfere no funcionamento do sistema nervoso, refere Amy Cuddy, da Universidade de Harvard, na obra ‘Presence’.

O cérebro é um órgão do corpo, é físico, e o seu principal trabalho é, aliás, mexer o corpo, conforme o que pensamos e sentimos; conforme o que inconsciente ou conscientemente se vai passando. ‘Cerca de 80 por cento das fibras nervosas vão na direcção dos órgãos do corpo para o cérebro’ diz o psiquiatra holandês Van der Kolk na obra ‘The Body Keeps the Score’. Isto quer dizer, por exemplo, que podemos modelar as emoções através da respiração ou da forma como andamos.

‘Queres conquistar? Anda como um conquistador’, disse Nietzsche (1844-1900). Hoje sabe-se que este conselho não é apenas simbólico; é biológico. Aqui ficam então as melhores posturas corporais para ‘conquistar’, para se sentir mais confiante, ter mais bem-estar e ser mais influente: de pé, com os pés ligeiramente afastados e peito para fora; com as mãos firmes nas ancas (e então se levantar ligeiramente o queixo…); sentado, com as costas direitas e os braços a ocuparem espaço; com os braços erguidos, de preferência em V; ou com as mãos a tocarem-se atrás da cabeça.

São posturas que desencadeiam a química do poder e da confiança e que nos fazem sentir bem e ser mais influentes. Assim mesmo, por elas mesmas e sem mais.

Fernando Ilharco O segredo de viver
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