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Fernando Ilharco

Quem tem smartphone sabe menos

Quanto mais esperto (smart) é o smartphone, menos ‘esperto’ é o utilizador.

Fernando Ilharco 5 de Novembro de 2017 às 00:30

Os smartphones, telemóveis de ecrã grande e acesso permanente à Internet, aparentam de facto ser ‘espertos’ (smart), mas quanto a quem os usa parece que quanto mais smart o telemóvel, menos smart o utilizador.

Oficialmente, em Portugal toda a gente tem um telemóvel. Alguns de nós têm mais do que um. Os últimos dados dizem que 70% dos portugueses usam smartphones. Ora, o acesso permanente à Internet, típico dos smartphones, parece estar a fazer com que as pessoas se preocupem menos em saber as coisas, em dominar informação sobre os assuntos que lhes interessam, bem como em puxar pela memória.

Um estudo levado a cabo pela Universidade de Waterloo, no Canadá, publicado na revista ‘Consciousness and Cognition’, descobriu que as pessoas que têm acesso constante à Internet nos seus smartphones têm tendência para dizer que não sabem, que desconhecem dados e factos sobre o assunto que estão a debater, mais do que quem não tem esse acesso constante à Internet.

Quem tem acesso permanente à Internet tem tendência a sentir-se menos conhecedor do que quem não está ligado à rede. A possibilidade de a qualquer momento aceder à Internet leva a que as pessoas corram menos riscos a dizer alguma coisa que facilmente se possa constatar que está errada. Por outro lado, quando se sabe que se pode encontrar online a informação que se procura, refere outro estudo, da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, as pessoas formam menos memórias. O cérebro actua com menos motivação para constituir memórias. O acesso constante à Internet altera o que sabemos, o que pensamos saber, o que memorizamos e muda, por isso, os nossos comportamentos.

Por outro lado, num estudo publicado na ‘Computers in Human Behavior’, investigadores da Universidade de Binghamton e da Universidade Estatal de Nova Iorque indicam que as mensagens SMS que terminam com um ponto final tendem a ser vistas por quem as recebe como pouco sinceras. Já as mensagens que terminam com um ponto de exclamação tendem a ser vistas como mais sinceras.

Noutra investigação sobre o uso dos smartphones, de investigadores da Universidade de Nottingham-Trenton, em Inglaterra, descobriu-se que os jovens tendem a passar pelo menos um terço do dia activo a utilizar o smartphone; pelo menos cinco horas por dia a olhar para o ecrã e a interagir através do telemóvel. Em geral, refere o mesmo estudo, as pessoas não têm ideia de durante quanto tempo usam o smartphone. Não andaremos longe da verdade, sugere a investigação, se pensarmos que tendemos a usar os smartphones o dobro das vezes e o dobro do tempo que o pensamos fazer.

Antiga Ortografia

Nova Iorque Universidade de Columbia Universidade de Waterloo Consciousness Universidade de Nottingham-Trenton
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