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Fernando Ilharco

Se tristezas não pagam dívidas

A má disposição não paga dívidas… aliás, dificulta o pagamento

Fernando Ilharco 26 de Fevereiro de 2017 às 12:59
É provável que não tenha sido um credor, mas um qualquer amigo de um devedor que enunciou o que hoje é um ditado popular: tristezas não pagam dívidas. E se não pagam, terá dito o amigo, não vale a pena estares triste. Cara alegre que tudo se resolve; sobretudo, se se fizer por isso…
O ditado popular – tristezas não pagam dívidas – chama a atenção para o facto de que o que paga a dívida ser mesmo o pagamento e não a tristeza ou a má disposição. Por isso, a boa questão, tanto para o devedor e o seu amigo como para o credor, é que comportamento ou atitude levará mais depressa a saldar a dívida. E aqui a sabedoria popular junta-se ao que diz a investigação contemporânea das ciências comportamentais: ser bem-disposto é o melhor para pagar a dívida. Alegres e bem-dispostos, trabalhamos melhor, aproveitamos mais as oportunidades e conseguimos melhores resultados. Hoje sabe-se que a alegria, o optimismo, a esperança melhoram a química corporal, têm consequências positivas na testosterona, a hormona da confiança e da acção competitiva, na dopamina, a química do cérebro que gera a sensação de realização, na adrenalina, que nos foca e dá energia, rapidez e capacidade de acção, no cortisol, a hormona do stress, etc. Mais alegres e bem-dispostos temos melhor percepção, os nossos sentidos captam mais, temos melhor cognição, raciocínio e capacidades de entendimento, temos mais energia, menos stress e maior resistência ao cansaço. Satisfeitos temos mais confiança e arriscamos mais.
Os vários estudos sobre o assunto têm descobertas interessantes. Por exemplo, as pessoas optimistas vivem, em média, mais 11 anos. As mais bem-dispostas têm menos doenças, atingem mais vezes os objectivos profissionais e ganham mais dinheiro ao longo da vida – "mais 30%, em média", refere Sonia Liubomirsky, da Universidade da Califórnia, na obra ‘Os mitos da felicidade’.
Mas se tristezas não pagam dívidas, a alegria, por si só, também não paga; nada de entusiasmos… O trabalho dedicado e esforçado, a persistência e a aprendizagem bem como a capacidade de planear, trabalhar e adiar recompensas fazem parte da atitude certa, que não só vai pagar a dívida como inicia uma outra história, de desenvolvimento e motivação, que vai bem mais longe.
A boa-disposição, a cara alegre, mesmo quando já estivemos bem melhor, ajudam. Em geral a boa-disposição traz maior produtividade, mais promoções, maior estabilidade familiar e social, maior capacidade de reacção, de adaptação e de sucesso. Em resumo, tristezas não pagam dívidas.
Texto escrito na antiga ortografia
Universidade da Califórnia economia negócios e finanças
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