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Fernando Ilharco

Sinais de inteligência

São mais inteligentes os mais magros, os canhotos, os mais ansiosos?

Fernando Ilharco 20 de Agosto de 2017 às 00:30

Haverá traços comportamentais, físicos ou outros que indiquem que uma pessoa é mais inteligente do que o comum dos mortais? Não há consenso sobre a matéria, mas vejamos o que se tem investigado.

Serão as pessoas mais magras mais inteligentes do que as mais gordas? Diz-se, embora não haja evidência científica, que os gordos são mais… alegres. Um estudo realizado ao longo de cinco anos e que envolveu mais de duas mil pessoas, publicado na ‘Neurology’, a revista da Associação Americana de Neurologia, defende que as pessoas mais magras tendem a ser mais inteligentes do que as mais gordas.

Um outro estudo, publicado na revista ‘Nature’, diz que quem desenvolveu menores capacidades cognitivas na infância tende a ser mais gordo na idade adulta. A relação é complexa mas, defende a investigação, pode dar-se o caso de as crianças mais inteligentes terem desenvolvido percursos de vida que lhes tenham facilitado tomar melhores decisões sobre a alimentação; daí virem a ser menos gordas que os outros na idade adulta.

Entre irmãos não há diferenças de níveis de inteligência à nascença, foi o que concluíram investigadores noruegueses que estudaram 250 mil pessoas nascidas entre 1967 e 1976. Uma ligeiríssima vantagem pode encontrar-se na inteligência dos irmãos e das irmãs mais velhas, mas será mais um resultado do tipo de relacionamento desenvolvido entre irmãos e entre estes e os pais ao longo de muitos anos do que uma consequência de qualquer diferença genética.

Um outro estudo recente, publicado na ‘Psychological Science’, indica que a prática musical na infância, entre os 4 e os 6 anos de idade, tende a gerar subidas no quociente de inteligência; e os resultados podem começar a surgir ao fim de um mês de prática. No entanto, um outro estudo, publicado na revista ‘Frontiers in Psychology’, indica que a situação pode ser outra. As crianças com melhores desempenhos na escola e no relacionamento social têm mais tendência para ter lições de música. Ou seja, o praticar música em si mesmo não aumentaria a inteligência, mas seria já uma consequência de ser mais inteligente.

A este quadro deve ainda acrescentar-se que a noção tradicional de inteligência, que se refere às capacidades lógicas e analíticas, é hoje em dia muito questionada. Há outros tipos de inteligência, por exemplo, a chamada inteligência social, a capacidade de gerir bem e tirar partido das emoções, o raciocínio espacial e físico, a intuição, a criatividade, etc.

Quanto a sinais menos consensuais, mas ainda assim já estudados como indicadores de inteligência, contam-se em bebé ter sido amamentado ao peito pela mãe, ser canhoto, ter um bom sentido de humor e, veja bem, ser uma pessoa preocupada e ansiosa.

Neurology Associação Americana de Neurologia Psychological Science
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