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Fernando Ilharco

Uma boa vida

Porque é que para uma boa vida é importante descansar, passear e divertirmo-nos nas férias e, antes e depois disso, trabalhar para o futuro, a sério, no duro e com ambição?

Fernando Ilharco 23 de Julho de 2017 às 00:30

Porque é que divertirmo-nos sempre, ter prazer e bem-estar no momento, não é suficiente? E porquê só trabalho e mais trabalho, com vontade e dedicação para construir algo significativo, também não chega para se ter uma boa vida?

A obra ‘Happiness: Unlocking the Mysteries of Psychological Wealth’, da autoria de Robert Biswas-Diener, da Portland State University, apresenta uma investigação sobre a felicidade, levada a cabo em grupos populacionais tão diferentes como os Amish, os Masai do Quénia ou os habitantes da Gronelândia. "As pessoas gostam de banhos de espuma e de chocolate; não podemos afastar o prazer," defende Robert Biswas-Diener.

Mas andar sempre em festa, sem nunca adiar as recompensas, não deixa construir algo a longo prazo, verdadeiramente significativo para uma vida realizada. O longo prazo, os objectivos, as metas que queremos atingir são a origem do significado, é o que justifica os esforços que fazemos e ilumina o percurso da nossa vida social e profissional.

Mas no dia-a-dia o prazer, o sabor do momento, também é importante. Uma boa vida é feita de prazer e significado. Muita diversão, só diversão e nada mais, como costuma dizer-se, não leva a lado nenhum. Esgota-se no momento. Mas só trabalho e mais trabalho também não é vida. Pode conseguir-se uma promoção e outra ainda, mas pode também conseguir-se uma vida menos alegre, menos sociável e de menor satisfação.

A boa vida assenta mais nas actividades que temos, no bem-estar que nos proporcionam no momento, e na sua relevância para o futuro, do que nas coisas que temos ou compramos. A partir de um determinado patamar, o dinheiro é especialmente relevante para o bem-estar com a vida se for gasto; e se for gasto sobretudo em actividades e não em coisas; numas boas férias, num passeio ou num almoço ao ar livre. As emoções positivas que vêm dos bens materiais esgotam-se mais depressa do que as sensações e as memórias que vêm das nossas experiências, sobretudo de actividades com outras pessoas. Mesmo na compra de bens materiais, o bem-estar tende a aumentar mais quando o que compramos é para oferecer a outros e não para nós próprios. Os chamados gastos sociais têm uma correlação alta com o bem-estar.

Concluindo, o trabalho e a diversão são importantes para uma boa vida; por um lado, descansar e passear, diversão nas férias e nos fins-de-semana; por outro lado, no dia-a-dia, trabalhar a sério, com ambição e para o futuro.

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