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Fernando Medina

A Carris regressa a casa

Melhorar os transportes públicos é melhorar a qualidade de vida, do ambiente e da saúde de todos os que vivem e trabalham em Lisboa.

Fernando Medina 1 de Fevereiro de 2017 às 00:30
Hoje é o primeiro dia da nova vida da Carris. O regresso da Carris à propriedade e gestão da Câmara de Lisboa, a sua casa histórica, marca uma nova fase no transporte público na cidade. Uma fase de investimento na aquisição de novos autocarros, contratação de mais motoristas, criação de novas linhas e redução dos tarifários. Uma fase marcada por uma visão clara: atrair mais pessoas para o transporte coletivo, melhorando a mobilidade dos cidadãos e a qualidade de vida em Lisboa.

É preciso encarar a realidade de frente. O modelo de mobilidade e de planeamento das área metropolitana não tem qualquer sustentabilidade. Quer seja ambiental, económica ou na qualidade de vida. Ao longo de décadas as pessoas foram para a periferia, à procura de casas mais baratas ou mais espaçosas, e os transportes coletivos não acompanharam essa dinâmica, deixando milhares de pessoas na dependência do transporte individual. Para muitos o recurso ao carro não é uma opção mas uma necessidade, vezes demais mais rápida, cómoda e barata que o transporte público.

Mas o que se apresenta como uma decisão racional pode, se tomada por todos ao mesmo tempo, ser insustentável para a nossa vida em comunidade. Todos os dias entram 370 mil veículos no centro de Lisboa. Nos últimos dois anos, com a recuperação do emprego, são mais 15 mil veículos. Só estes carros a mais representam uma fila adicional de 75 quilómetros, o equivalente a todas as faixas, nos dois sentidos, entre Algés e o Parque das Nações. Este modelo não é sustentável.

Melhorar os transportes públicos, tornando-os competitivos no preço e comodidade com o transporte individual, é melhorar a qualidade de vida, do ambiente e da saúde de todos os que vivem e trabalham em Lisboa. A Câmara assume hoje a propriedade da Carris com um propósito simples e um plano ambicioso. Reverter a degradação a que chegaram os transportes nos últimos anos (a Carris efetuou 42 milhões de quilómetros de viagens em 2010 e em 2015 não ultrapassou os 29 milhões) e melhorar o serviço da Carris.

Ninguém melhor do que a Câmara o pode fazer. Tudo o que interfere com os transportes de superfície é gerido pela autarquia: a polícia municipal, os parques de estacionamento dissuasores que estão a ser construídos, as faixas bus, os semáforos, o planeamento urbano, as ciclovias e a futura rede de bicicletas partilhadas. Doravante, e pela primeira vez, teremos uma política de mobilidade integrada. Uma Carris, agora na autarquia, mais próxima das preocupações diárias dos cidadãos que usam os transportes e numa articulação mais forte com os concelhos vizinhos.

Trump em ação 
Depois das palavras, os atos. Trump começou a executar o seu programa protecionista, nacionalista e populista. Numa semana rasgou o acordo comercial do Pacífico, assinou um decreto para construir um muro ao longo de toda a fronteira com o México, elogiou o método da tortura e proibiu o financiamento público da interrupção voluntária da gravidez.

Como se isto não bastasse, ainda assinou um decreto infame que implica a suspensão do programa de acolhimento de refugiados e proíbe a entrada de quaisquer cidadãos oriundos de sete países maioritariamente muçulmanos. Ao lançar esta série de decretos Trump está a contornar o seu partido no Congresso e a explorar o sentimento de medo, sem qualquer consideração pela realidade, pela lei ou pela tradição de liberdade americana, como já lembrou Obama.

A única boa notícia vem da vitalidade da sociedade civil. É impressionante o movimento de solidariedade que defende, em aeroportos e fronteiras, as vítimas destas arbitrariedades, em contraste aliás com a passividade europeia perante abusos semelhantes.

Startup Lisboa faz cinco anos
Foram cinco anos a ajudar empreendedores a criar valor e emprego na cidade. Lisboa é hoje uma referência europeia nas áreas do empreendedorismo, criação de valor e oportunidades de emprego, assim como a casa da Web Summit. Com a Startup Lisboa atingimos um novo patamar, e por isso é com renovada ambição que devem ser encarados os próximos cinco anos.
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