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Fernando Medina

A política de terra queimada

Mais de metade dos beneficiários deste aumento, 56%, trabalham em empresas com menos de 10 trabalhadores, 80% nas que têm menos de 50.

Fernando Medina 25 de Janeiro de 2017 às 00:30
O aumento do salário mínimo para 557 euros é um importante passo para a recuperação do poder de compra perdido nos últimos anos. O aumento combinado deste ano e de 2016 atinge os 10%, melhorando a qualidade de vida de 771 mil pessoas. É um valor relevante.

O Governo podia aumentar o salário mínimo (SMN) sem qualquer acordo de concertação social. Fez bem, no entanto, ao promover um entendimento que realçasse o consenso social e protegesse o SMN das constantes pressões europeias para descer o seu valor. O tecido económico do País é constituído por empresas de pequena e média dimensão. Percebe-se, por isso, a preocupação em compensar o aumento de 47 euros, em apenas dois anos, com um ligeiro desconto na TSU das entidades patronais.

Mais de metade dos beneficiários deste aumento, 56%, trabalham em empresas com menos de 10 trabalhadores, 80% nas que têm menos de 50. O aumento do SMN aumenta a qualidade de vida de milhares de famílias, o acordo promovido pelo Governo protegia as empresas e instituições sociais mais frágeis. A rejeição do PCP e do BE não surpreende: o conteúdo não estava previsto nos acordos que suportam o Governo do PS e sempre foram contra a descida da TSU. Já a rejeição do PSD inaugura uma nova fase na vida parlamentar: a política da terra queimada. Com Passos Coelho à frente do Governo, o PSD desceu a TSU em 0,75% na única vez que aumentou o SMN. De resto, até há bem pouco tempo a única preocupação do PSD dizia respeito à possibilidade de estender a solução encontrada para as empresas às IPSS, o que aliás veio a acontecer.

Entretanto, o PSD dá o dito pelo não dito. Taticismo puro, com consequências políticas imediatas. A partir de agora, em cada votação, o que podemos esperar do PSD é apenas e só a criação de dificuldades ao Governo, sem qualquer consideração pelo mérito das propostas ou o programa do PSD. São contra pela pequena política. O acordo que viabilizou a atual solução governativa tem provado bem na frente económica, orçamental e europeia, mas vai entrar agora numa fase mais exigente. Tendo como horizonte os quatro anos da legislatura e como objetivo a estabilidade política que os portugueses exigem, PS, BE, PCP e PEV vão ter de se reposicionar face à estratégia de terra queimada seguida pelo PSD.

Salvar o acordo de concertação será um boa demonstração de que perceberam.

O fim de uma era      
Donald Trump tem razão: não estamos a viver uma simples transição de poder entre um democrata e um republicano. A seguir à sua eleição, algumas vozes garantiam-nos que, uma vez no poder, mudaria o seu comportamento. Pura ilusão, o sucesso de Trump reside numa campanha de permanente mobilização dos seus fiéis e de desgaste dos adversários com discursos de divisão e manobras de diversão.

No discurso de tomada de posse, Trump falou-nos de uma América nacionalista, protecionista e fechada sobre si mesma. A partir de agora, só há uma consideração em matéria de política externa e comercial: o suposto interesse nacional.

É bom que os adversários nacionais e globais de Trump o levem a sério e não percam o foco. O foco tem de ser as suas políticas erradas e não as suas constantes manobras de diversão, por muito mediáticas que sejam. O que realmente importa aos progressistas é dar luta ideológica e encontrar respostas para uma classe média cada vez mais confrontada com problemas de qualidade do emprego e desigualdade social.

Uma Cidade de Bairros   
Lisboa sempre se distinguiu por ser uma cidade de bairros. Mas durante demasiado tempo este conceito deu lugar à prioridade do espaço ao automóvel sobre as pessoas.

As obras que agora terminaram no Saldanha, e as que, em breve, vão chegar ao fim nas zonas de Campolide, Santos, ou Graça voltam a colocar as pessoas no centro da política desta cidade.
Governo País TSU PCP BE Governo do PS PSD Passos Coelho IPSS PS
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