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Fernando Medina

Abril em Portugal

Temos de aproveitar o facto de ainda termos alguns antifascistas para contar às novas gerações de portugueses como era viver sem liberdade.

Fernando Medina 26 de Abril de 2017 às 00:30
Há quem questione o sentido de continuar a celebrar o 25 de Abril ao fim de 43 anos e com uma democracia consolidada. Num momento em que mais de metade da população portuguesa nasceu depois do 25 de Abril, ou não tem a memória da ditadura e a experiência da Revolução dos Cravos, parece-me absolutamente crítico recordar o caminho feito e aproveitar a data para projetar o futuro.

Felizmente, como foi lembrado nos vários discursos da Assembleia da República, não temos entre nós uma ameaça de extrema-direita relevante. Mas não podemos ignorar o que se passa à nossa volta, numa Europa cada vez mais interdependente. A democracia é uma conquista diária, nunca a podemos dar por adquirida.

Temos de aproveitar o facto de ainda termos alguns antifascistas vivos para contar às novas gerações de portugueses como era viver sem liberdade. Como disse Manuel Alegre, ontem citado por Ferro Rodrigues, a vitória da memória sobre o esquecimento é essencial à democracia!

Celebrar serve também para avaliar o caminho feito e perspetivar o futuro. Certamente nem tudo correu bem nestes 43 anos de democracia. Mas é impressionante a diferença entre o Portugal da ditadura e o Portugal dos direitos cívicos, políticos, económicos e sociais em que hoje vivemos.

Dantes não havia eleições livres e justas nem existia liberdade de expressão. Hoje, estamos entre os países mais avançados em matéria de igualdade de direitos, temos uma escola pública que qualificou gerações, oferecemos um Serviço Nacional de Saúde que está entre os melhores da Europa, uma rede de saneamento e habitação digna desse nome.

Ao olharmos para os desafios que o futuro nos coloca, devemos encarar o atual capital de confiança na democracia como um bom ponto de partida para melhorarmos as nossas vulnerabilidades internas, na qualificação dos portugueses, na política de transportes ou na robustez da economia e do sistema financeiro.
E também devemos perceber que sem a nossa participação ativa numa urgente refundação europeia, muito dificilmente nos poderemos afirmar.

Fim de uma era em França 
Realizou-se no domingo a primeira volta das eleições presidenciais francesas. O resultado espelha o fim de uma era: pela primeira vez na V República francesa nem o candidato oficial dos socialistas nem o da direita clássica passam à segunda volta. Le Pen não teve, felizmente, o resultado que queria (ficou em segundo e aquém dos 25% atribuídos pelas sondagens), mas as sondagens dão-lhe na segunda volta um crescimento muito além dos limites tradicionais da extrema-direita.

A segunda volta representará um debate de opostos da maior importância para o futuro da França e da Europa: entre o fim da Europa ou o seu relançamento, entre fechamento e abertura, entre medo e esperança. E Macron está a mostrar que é possível ganhar ao centro com um discurso corajoso, que não cede ao preconceito nem à extrema-direita. Macron tem agora dois desafios fundamentais. Primeiro, evitar que os desiludidos do sistema que votaram Mélenchon, ou eleitorado tradicionalista de Fillon, acabem por votar na extrema-direita. Depois, transformar a provável maioria presidencial numa maioria legislativa coerente com o seu programa.

Nova Biblioteca no Cinema Europa  
O antigo Cinema Europa foi devolvido às pessoas, agora como uma moderna biblioteca e um espaço lúdico destinado aos mais novos.

É um equipamento cultural com uma presença histórica no bairro lisboeta de Campo de Ourique e que resulta, na sua atual configuração, de um notável processo de mobilização e participação dos cidadãos.
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