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Fernando Medina

Brexit, Trump e o medo

Não é de forma incólume que a segunda maior economia deixa a União. Avizinham-se problemas para a economia do Reino Unido e da UE.

Fernando Medina 29 de Junho de 2016 às 01:45
O voto pela "saída" no referendo britânico foi sobretudo um voto dos mais velhos, menos escolarizados e com expressão maioritária na maior parte do território. A opção pela "saída" teve adesão em todo o espectro partidário. Mais forte nuns partidos do que noutros, mas até um em cada três eleitores do Partido Trabalhista escolheu voltar as costas à União Europeia.

Estamos, pois, perante um tipo de eleitor com semelhanças ao que encontramos no caso de Donald Trump ou Bernie Sanders, nos EUA, de Le Pen, ou das forças populistas que têm crescido na Holanda ou Áustria.

É um eleitorado que tem receio da globalização. Uns porque estão a perder com a desindustrialização, e outros que, não estando, têm receio das suas consequências. O que os últimos indicadores eleitorais nos mostram é que os apelos da direita mais radical e das forças populistas encontram terreno fértil nestas bolsas eleitorais. Seja pelo discurso anti-imigração de Trump, Le Pen ou Farage, mas também à esquerda, pelo discurso protecionista e contra os acordos comerciais, que foi a base de Sanders.

A imigração surge, não como a causa imediata e direta do voto, mas como um inimigo fácil. Não é por acaso que nesta como noutras eleições o voto pela "saída" ganhou onde há menos imigrantes e o da "permanência" ganhou onde há mais imigrantes, como em Londres. É o voto do medo do que é global e do desconhecido, não o voto do que é real e conhecido.

Neste quadro, os partidos centrais do sistema ou não têm resposta, como é o caso do Trabalhista, ou são eles próprios, como David Cameron, a assumir a irresponsabilidade do discurso da intolerância.

Não é de forma incólume que a segunda maior economia deixa a União. Avizinham-se problemas para a economia do Reino Unido e da UE. Mas é a nível político que os maiores desafios se colocam. Estamos perante dois cenários. Ou a Europa acaba por não ter uma solução global, o que não resolve qualquer problema, ou vai propor um grande salto em frente do ponto de vista do núcleo duro da integração europeia, para o que parece não reunir condições políticas.

A solução passa por melhor Europa, e não por mais Europa. Uma União focada na resolução da crise financeira, em pôr o euro a funcionar, com capacidade para recuperar crescimento e emprego. Em aprofundar a democracia, que tem faltado, e em proporcionar um horizonte de esperança.

Espanha é uma lição
Depois de sete meses de negociações falhadas para formar governo, os espanhóis voltaram às urnas no domingo. O resultado não foi muito distinto do de dezembro, mas há diferenças significativas.

O PP, de Mariano Rajoy, saiu reforçado. Ainda está longe da maioria absoluta, mas teve mais 573 mil votos e mais 14 deputados. Fica a sete deputados da maioria se se aliar ao Cidadãos.

Rajoy manteve-se calado ao longo destes penosos meses, deixando o palco aos restantes líderes, que ocuparam o tempo a digladiarem-se. Com a atual configuração parlamentar, o PSOE e o Unidos Podemos já nem com o acordo dos regionalistas seriam maioria. Precisariam sempre do Cidadãos.

Ora, foi alegadamente por não se querer coligar com o Cidadãos que o Podemos travou a formação de um governo de mudança há dois meses. Para ultrapassar o PSOE, o Podemos forçou novas eleições, juntando-se à Esquerda Unida, onde estão os comunistas espanhóis. Tiveram menos 1,142 milhões de votos do que separados! Uma grande lição para o Podemos e para os progressistas por essa Europa fora.

Festas terminam em grande
Os Buraka Som Sistema terminam em Lisboa a sua digressão mundial, num concerto gratuito marcado para o Jardim da Torre de Belém, junto ao Rio Tejo. O espetáculo da próxima sexta-feira, às 22h00, é o último antes da anunciada pausa na carreira da banda portuguesa, que está a assinalar dez anos de vida, e encerra da melhor forma as Festas de Lisboa. A não perder!
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