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Fernando Medina

Cidade de futuro

O que está em causa nas obras do Saldanha ou das diversas praças é devolver espaço às pessoas.

Fernando Medina 25 de Maio de 2016 às 00:30
Quando mais de metade das pessoas do planeta vive em áreas urbanas, sabemos que é nas cidades que se jogam as grandes questões do nosso tempo: emprego, qualidade de vida, ambiente e demografia. E jogam-se de forma conjunta: a aposta no espaço público e no transporte público responde em simultâneo a questões como a melhoria da qualidade de vida, a redução de emissões ou a progressão dos indicadores de saúde. É por isso que o grande desafio das cidades é saber enfrentar estes temas e aplicar políticas que coloquem as pessoas no centro das prioridades.

Muito se tem falado nas obras em Lisboa e dos incómodos que causam. Mas pensemos um pouco no futuro. As obras têm como objetivo humanizar a cidade e devolvê-la às pessoas. E fazem parte de uma visão de futuro com três elementos-chave: mais e melhor espaço público; mais e melhor transporte público; uma mobilidade mais sustentável.

O que está em causa nas obras do Saldanha ou das diversas praças é devolver espaço às pessoas, alargar passeios, aumentar zonas verdes, expandir o comércio local, reduzir o ruído e a poluição, criar novas ciclovias. Em síntese, humanizar a cidade devolvendo-a às pessoas. Na requalificação dos passeios procura- -se a melhoria da acessibilidade e uma cidade que possa ser vivida na plenitude por todos os seus residentes. Quase um em cada quatro lisboetas tem mais de 65 anos e mais de metade dos idosos diz que limita as saídas de casa com medo de cair. Para quem anda com um carrinho de bebé ou cadeira de rodas, os passeios podem ser um campo de batalha. É por isso que os passeios estão a ser alargados e a ganhar materiais seguros e confortáveis.

Mas é verdade que não é possível prosseguir este caminho na cidade sem uma mudança profunda nos transportes públicos. Esta é certamente a área em que estamos mais atrasados, mas com a convicção de que a gestão municipal pode e vai fazer muito melhor do que até aqui.

O que está a acontecer em Lisboa não é um caso isolado. Barcelona quer diminuir em 21% o número de carros e Londres vai retirar os automóveis da maior artéria comercial. Por cá o caminho terá o nosso ritmo, mas não deixará a cidade fora do nosso tempo. Sim, Lisboa está em obras. Para em breve podermos ter uma cidade mais humanizada, amigável e que cuida melhor dos seus.

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Capital da Arte e da Cultura 
Lisboa vai integrar o circuito das mais importantes feiras de arte moderna e do colecionismo internacional, com a ARCO Lisboa, que começa amanhã. É uma excelente notícia para a cidade e uma oportunidade única para os seus artistas, galeristas, colecionadores e também público em geral. Além da feira, na Cordoaria Nacional, a ARCO Lisboa vai ter eventos paralelos a decorrer em bairros como Alvalade, Campo de Ourique ou Marvila.

Também amanhã começa mais uma Feira do Livro na capital. Até 13 de junho, o parque Eduardo VII recebe uma nova edição do evento, que não pára de crescer em oferta e procura – no ano passado, meio milhão de pessoas estiveram na Feira do Livro de Lisboa. Ainda por estes dias, o Rock in Rio está de volta à capital, no espaço único da Bela Vista. O maior festival de música do mundo encerra em Lisboa as celebrações dos seus 30 anos. Também de regresso está o Alkantara Festival - Mundos em Palco. O festival de artes performativas apresenta 25 espetáculos de criadores nacionais e internacionais dispersos por vários espaços de Lisboa.

Europa suspira de alívio 
31 mil votos, apenas, impediram a Áustria de se tornar um país europeu com um presidente de extrema-direita. Venceu o ex-líder do partido ecologista, mas quase metade dos eleitores votou na alternativa xenófoba. Os partidos do centro deixaram campo aberto ao discurso contra os emigrantes e refugiados. O resultado ia sendo um desastre. Até quando vamos fingir que nada se passa?
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