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Fernando Medina

Defesa da República

Eliminar o ISIS exige firmeza e determinação absoluta no combate, mas exige ao mesmo tempo inteligência e frieza na resposta.

Fernando Medina 18 de Novembro de 2015 às 00:30
Na passada sexta-feira, em Paris, 129 pessoas foram assassinadas e mais de 300 foram feridas, naquele que foi o mais bárbaro ato terrorista na Europa desde 2004. Vários observadores da política internacional notaram logo a mudança no padrão de atuação do autodenominado "Estado Islâmico".

Em primeiro lugar, não se tratou de um ataque a alvos políticos ou simbólicos, como no passado, mas de um ataque indiscriminado contra pessoas comuns.

Em segundo lugar, o ataque foi realizado com recurso a bombistas suicidas, o que mostra bem a escalada da radicalização deste movimento terrorista, que quer trazer para a Europa a guerra que está a perder na Síria.
Em terceiro lugar, parece certo que o ataque foi organizado na Europa e, mais importante, foi levado a cabo por europeus. Hollande disse-o com frontalidade: foram franceses que mataram franceses.

Eliminar o ISIS exige firmeza e determinação absoluta no combate, mas exige ao mesmo tempo inteligência e frieza na resposta. Não podemos, em nenhuma circunstância, deixar que a resposta aos ataques represente uma vitória dos agressores. Isto exige denunciar com firmeza todos aqueles que no Ocidente tentam aproveitar a tragédia para afirmar a sua agenda xenófoba, questionar o direito fundamental que é o direito ao asilo e desafiar a solidariedade que é devida aos refugiados, eles próprios perseguidos e condenados pelos terroristas.

Porque a xenofobia e a intolerância são aliados objetivos do terrorismo, que tem na cultura do medo e no alastramento da islamofobia instrumentos essenciais à concretização da sua profecia de uma guerra religiosa. Como muito bem sintetizou o Presidente Hollande, é a República que tem que derrotar o terrorismo e não o contrário. E esta tarefa começa pela defesa dos valores da própria República.

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Lisboa solidária com Paris
Não é por acaso que as maiores cidades são os grandes alvos dos ataques terroristas. É certamente porque é nas grandes cidades que se concentra mais gente.

Mas é também porque as cidades representam tudo aquilo que define a modernidade e, portanto, tudo aquilo que nos afasta do integrismo: o cruzamento de culturas, a tolerância para com a diferença, o conhecimento científico, o gosto pelo lazer e pelo convívio.

Viver em Lisboa não é viver numa ilha distante. É participar solidariamente numa rede de cidades abertas e cosmopolitas com as quais partilhamos valores, experiências e aprendizagens.

Por isso, no passado sábado, 14 de novembro, na Torre de Belém, Lisboa homenageou as vítimas do terrorismo e mostrou solidariedade para com a França e para com a cidade de Paris.

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Aprender com a história
A dimensão da ameaça terrorista obriga a comunidade internacional a atuar na origem externa do problema: a guerra civil na Síria. Mas se há lição a retirar da história é que intervenções sem envolvimento das comunidades e dos países da região, em vez de contribuírem para o isolamento dos terroristas, só os alimentam.
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