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Fernando Medina

Muito mais que o défice

O que está em causa é uma manifestação de poder destinada a evitar o sucesso de políticas alternativas e voltar a afirmar a visão alemã.

Fernando Medina 6 de Julho de 2016 às 01:45
Sancionar Portugal por ter ultrapassado no ano passado em 0,2 pontos percentuais o défice orçamental não tem nada a ver com a melhoria da economia, da dívida ou da credibilidade das regras do Euro. É apenas expressão da degradação política da Europa e da violência dos embates que Portugal e os restantes países da periferia terão pela frente se pretenderem o regresso a políticas de convergência, crescimento e emprego.

Hoje ainda não se sabemos se, quando e em que moldes Portugal e Espanha serão sancionados. Mas diz tudo o simples facto de há semanas se admitir como provável esta possibilidade e de altos responsáveis europeus (liderados por Schäuble) procurarem fragilizar as perspetivas portuguesas.

O que está em causa é uma manifestação de poder destinada a evitar o sucesso de políticas alternativas e assim voltar a afirmar a visão alemã para o futuro do Euro e da Europa. Alguns poderiam pensar que com os problemas da segurança e do terrorismo a emergir se reforçassem os laços de união entre as democracias. Que a vaga de refugiados operasse uma justa reorientação das prioridades, ou que a ascensão dos populismos e o recente referendo do Reino Unido tivessem despertado consciências. Mas não.

O confronto de visões sobre o desenvolvimento dentro da Zona Euro aí está, e a linha alemã mantém-se de forma fria e crua. Rejeitando qualquer debate sobre as dívidas da periferia, evitando qualquer progresso nas transferências orçamentais e forçando o aumento da austeridade, a Alemanha pós-Brexit parece querer prosseguir o mesmo caminho: um ajustamento unilateral sobre o emprego e a emigração na periferia da Europa, permitindo a continuação de excedentes externos na Alemanha e financiamento do Estado alemão a juros negativos.

Esta é a linha de Schäuble, que nada parece fazer parar. Face a isto é determinante manter a coesão interna em torno da condenação das sanções, juntando Presidente, Governo e Parlamento, e reforçar as vozes que na Europa clamam por uma profunda correção da arquitetura da moeda única. Deste ponto de vista, andou bem Assunção Cristas, ao rejeitar liminarmente a hipótese de sanções. E andou mal Passos Coelho, ao sair desta linha de unidade nacional, para retirar dividendos político-partidários de retorno duvidoso.

Circular (melhor) em Lisboa
A intervenção na 2ª Circular começou. Garantindo mais segurança e uma melhor circulação, a requalificação desta via era uma intervenção urgente e há muito adiada. A 2ª Circular é a artéria com maior número de acidentes na cidade. Pavimento em péssimo estado, sistema de drenagem que deixou de funcionar em condições, má iluminação e vias de aceleração que se cruzam com vias de desaceleração. O resultado são engarrafamentos e uma circulação insegura, dadas as constantes alterações de velocidade e trajetórias.

Decorrendo entre as 22h e as 6 da manhã, para garantir que não há impacto no trânsito durante o dia, as obras vão dotar esta via de um novo pavimento, com um sistema de drenagem que assegure a qualidade do piso, a melhoria da iluminação e a racionalização das entradas e saídas da via. Esta intervenção é o resultado de uma consulta pública e incorporou vários contributos desse debate. Há quem continue a entender que podemos esperar mais. Deixar para amanhã o que pode ser feito (para melhor) hoje raras vezes é bom conselho. É o caso.

Sem plano para o futuro
Primeiro Cameron, depois Boris e agora Farage. Os grandes protagonistas do debate referendário britânico estão de saída. A debandada dos partidários do Brexit, e a assunção de que as finanças nunca estudaram qualquer cenário para a saída, é bem o espelho de uma campanha baseada no medo e no ódio, sem qualquer plano realista para o cenário de saída da União Europeia.
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