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Fernando Medina

Olhar para o sítio certo

O primeiro-ministro colocou o dedo na ferida. É decisivo aumentar o financiamento às empresas e à economia e assim criar emprego.

Fernando Medina 13 de Abril de 2016 às 01:45
Esta semana, o Primeiro-Ministro colocou o dedo na ferida. É decisivo aumentar o financiamento às empresas e à economia e assim criar emprego. Para tal, é preciso responder ao obstáculo central à recuperação da nossa economia: a natureza sobretudo privada das dificuldades de financiamento de Portugal.

Muita dessa dívida terá resultado, à época, de decisões racionais, quer das famílias e das empresas, quer do setor financeiro. Em 2008, porém, a crise global de financiamento da economia tudo precipitou. Em Portugal, o primeiro sinal foi o corte de financiamento aos bancos e, depois, ao Estado português. Mas por motivos de natureza estritamente política e ideológica, o Governo anterior decidiu olhar para o sítio errado, insistindo na ideia de que o País tinha sobretudo um problema de dívida pública e de défice e que, por isso, era necessário cortar no Estado, e na dimensão dos serviços públicos.

O que veio a seguir é conhecido: o Governo "emagreceu" o Estado, e em termos de dívida privada pouco se fez. Basta lembrar que metade do dinheiro destinado à recapitalização da banca nacional, disponibilizado no âmbito do Memorando de Entendimento com a Troika celebrado em 2011, não foi usado até 2015. Não era preciso mexer nesses seis mil milhões, diziam-nos à época, porque tínhamos garantido a estabilidade do sistema financeiro – um dos pilares essenciais do Memorando de Entendimento.

O resultado dessa política foi o que se viu. Hoje temos em Portugal um sistema financeiro relativamente bloqueado. Parte importante do nosso tecido económico está endividada, ou mesmo sobre-endividada. Ou seja, é muito pequeno o conjunto de empresas em Portugal com capacidade para recorrer ao crédito bancário e com isso crescer, pelo que a banca nacional não só não tem economia para receber essa liquidez, como, se nada for feito, não conseguiremos quebrar este ciclo vicioso e reanimar a economia nacional.

Esteve bem, o Primeiro-Ministro António Costa. Tal como aconteceu em países como a Espanha ou a Irlanda, também Portugal deve lidar com este problema, para que assim se possa concretizar a tão desejada reanimação da economia.

Progressos na Igreja Católica
O Papa Francisco é dos poucos líderes mundiais que nos trazem uma mensagem de progresso e de esperança. Com a sua recente exortação apostólica, intitulada ‘A Alegria no Amor’, o Papa Francisco mais uma vez avança na conciliação da posição da Igreja Católica com o universo de crentes e também dos não crentes.

Cito uma breve passagem: "É importante que os divorciados que vivem uma nova união sintam que fazem parte da Igreja, que não estão excomungados, e não são tratados como tal, porque sempre integram a comunhão eclesiástica". É um sinal de grande importância, de transformação e de avanço da Igreja Católica num sentido reformista, e de aproximação relativamente aos crentes e não crentes.

Com estas palavras, o Papa Francisco ataca de frente aquele que tem sido o maior elemento de afastamento do catolicismo dos crentes e também da comunidade em geral – os temas da moral e da família. E assume a direção certa, ao tornar, assim, a Igreja Católica mais próxima do que é hoje a  realidade das vidas e das famílias de todos nós.

Viver bem com contas certas
As contas de 2015 da Câmara Municipal de Lisboa trouxeram várias boas notícias: são os melhores resultados da última década, reduzindo o passivo da autarquia em cerca de 20 milhões de euros. O município lisboeta paga aos seus fornecedores a três dias, ao mesmo tempo que tem o IMI mais baixo da Área Metropolitana e que devolve metade do IRS aos seus munícipes.
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