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Fernando Medina

Pequena política, grandes riscos

Na ânsia de manter a história de que não punha dinheiro nos bancos, PSD e CDS recusaram-se a tomar medidas.

Fernando Medina 22 de Junho de 2016 às 01:45
A Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) nada tem a ver com qualquer vontade em apurar os factos, que são conhecidos e auditados, mas com uma jogada de pequena política de um PSD que não cuida das suas responsabilidades políticas nem das consequências financeiras dos seus atos.

Recuemos um pouco. Estava o PSD no Governo, quando, por via da troika e das medidas tomadas a nível europeu para garantir a sustentabilidade do sistema financeiro, se fizeram todos os testes e auditorias à Caixa. Uma, conduzida pelo Banco de Portugal, avaliou créditos no valor de 71,8 mil milhões de euros, cobrindo 84% do total da carteira de crédito do Grupo CGD. "A avaliação concluiu ser adequado o valor global da imparidade registada nas contas consolidadas."

Foi na sequência desses testes e das necessidades regulatórias que o anterior Governo e o Banco de Portugal entenderam ser necessário injetar 1650 milhões de euros na Caixa. Foi o que aconteceu e é isso que torna tudo isto ainda mais surpreendente. O PSD apresenta uma Comissão para avaliar o que correu mal depois de 2012, sob a direção de um banco nomeada por si e um Governador do Banco de Portugal por si reconduzido.

A outra hipótese, e ela bate certo com o que já percebemos ser o padrão seguido pelo anterior Governo no Banif e também no Novo Banco, é que, na ânsia de manter a história que não punha dinheiro nos bancos, e fazer campanha dizendo que tínhamos tido uma saída limpa, PSD e CDS recusaram-se a tomar as medidas certas na altura certa. Estaremos agora a pagar os custos, acrescidos, desse padrão de comportamento, mas pré-anunciam-se custos adicionais mais pesados.

Anunciar uma Comissão Parlamentar ao maior banco português, no preciso momento em que se discute em Bruxelas a sua capitalização, é uma irresponsabilidade sem nome e que só serve para enfraquecer a CGD. Convém não esquecer que, ao contrário do que aconteceu com o BPN, BES ou BANIF, esta Comissão de Inquérito decorre com um banco que mantém a sua sigla e tem os seus balcões a funcionar.

Os riscos de degradação das contas da CGD - por via de uma recapitalização falhada em Bruxelas, ou da erosão da confiança dos clientes - são de tal forma evidentes que não podemos deixar de nos lembrar que, por mais de uma vez, Passos Coelho já defendeu a sua privatização.

É fácil e popular dizer que "quem não deve não teme", mas a questão é antes que quem paga não quer correr o risco de pagar ainda mais só por opções de pequena política.

Novidades do Museu do Fado
O Museu do Fado, em Lisboa, conta com dois novos projetos que enriquecem não só a cidade, como a música portuguesa: o Arquivo Sonoro é a primeira coleção de registos sonoros de fado disponível online a partir de um dos maiores acervos existentes no País.

É um passo histórico, já que nesta coleção online poderá encontrar, através de uma pesquisa na internet, registos dos fados gravados desde o início do século XX. E já pode conhecer todo esse arquivo no seguinte sítio na internet: http://bit.ly/1UgYDvD.

Por sua vez, a editora Museu do Fado Discos – também lançada na semana passada – pretende promover novos valores do fado com repertório original, bem como projetos inéditos das nossas grandes referências do fado. A partir de agora, a aposta é lançar, todos os anos, seis novos discos de fado.

São excelentes notícias para quem gosta de fado e também para a cultura portuguesa, fazendo justiça à distinção da UNESCO, que elegeu o fado Património Cultural e Imaterial da Humanidade. Viva o fado!

Referendo no Reino Unido
O ‘ficar’ segue agora à frente nas sondagens do referendo de amanhã sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Todos os desfechos são possíveis, porém nenhum é animador sobre o futuro do projeto europeu, que, depois da crise económica e financeira e da crise humanitária dos refugiados, sofre assim mais um revés que afeta a sua credibilidade perante os cidadãos europeus.
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