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Fernando Medina

Responsabilidades

Por que razão o anterior governo adiou o inadiável, e arriscou vender o banco Banif tarde e já a más horas?

Fernando Medina 23 de Dezembro de 2015 às 00:30
A solução encontrada para o Banif foi, como reconheceu António Costa, uma solução "dolorosa". Bastante dolorosa para os contribuintes portugueses.

Quando um novo Governo tem três semanas para resolver um problema que o Governo anterior não resolveu em três anos, e quando se vê confrontado com um ultimatum do Banco Central Europeu, liderado por Mario Draghi, não há boas soluções.

Mas esta será porventura a solução menos má, já que a solução alternativa (a liquidação do banco) não acautelava os depósitos (muitos deles de emigrantes) nem os impactos para a economia da Madeira e dos Açores. Já para não falar do Estado português, o acionista maioritário do Banif.

Esta segunda-feira ficámos a saber que a solução agora adotada foi precisamente a mesma que a Comissão Europeia recomendou há um ano.

Por que razão o anterior governo adiou o inadiável, e arriscou vender o Banif tarde e a más horas?

A resposta é clara: a solução foi sendo adiada pelo governo anterior, primeiro, conforme reconhece a Comissão Europeia em carta agora revelada, para não prejudicar a "saída limpa", e, depois, como é óbvio, para não prejudicar as eleições e a narrativa da recuperação económica e financeira do País.

A seguir às eleições legislativas, a propósito das dúvidas legítimas levantadas pelo PS acerca da saúde do sistema financeiro, Maria Luís Albuquerque, então ministra das Finanças, ainda veio dizer que em política não pode valer tudo. Pelos vistos, valeu mesmo tudo, mesmo que isso pudesse ter graves custos para os contribuintes e depositantes.

É preciso apurar responsabilidades políticas. Ao contrário de outros casos anteriores, igualmente gravosos para os contribuintes, no caso do Banif estamos perante um banco público.

Bons ventos de Espanha?
Em espanha, os partidos que dominaram a cena política, PP e PSOE, que nas últimas eleições somavam 73,4% dos votos e 296 deputados, tiveram agora 50,74% e 213 deputados. É um autêntico terramoto eleitoral. Mais um a afetar a Europa.

Tal como cá, e se calhar com dificuldades acrescidas de governabilidade, a Espanha vai entrar num novo tempo político em que o parlamento e a negociação adquirem uma grande centralidade.

Confesso que acho que era bom para a mudança na Europa e na Zona Euro, e nesse sentido era bom para Portugal, que o PSOE conseguisse formar um novo Governo com apoio maioritário no parlamento. Nada se vai conseguir na Europa de forma isolada ou unilateral, e quanto mais forem os governos a remar para o lado das mudanças, melhor. Será que vamos ter bons ventos de Espanha?

O futuro das cidades é agora
A candidatura conjunta de Lisboa, Londres e Milão obteve 28 milhões de fundos comunitários para tornar as cidades mais inteligentes. Vamos ter mais eficiência energética nos edifícios e encontrar formas de mobilidade urbana mais amigas do ambiente. Perante desafios ambientais e oportunidades tecnológicas, o futuro não pode esperar.
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