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Fernando Medina

Travar Donald Trump

O que tem feito a força eleitoral de Donald é a defesa de um retrocesso isolacionista na política externa e económica.

Fernando Medina 18 de Maio de 2016 às 01:45
Donald Trump deverá ser o candidato republicano à Casa Branca nas eleições presidenciais de novembro porque muitos cometeram o erro de o desvalorizar devido ao seu discurso radical, grosseiro e até racista. É verdade que o discurso de Trump é tudo isso.

Donald Trump defende abertamente a tortura, defende o fim da Nato, diz-se contra a relação comercial dos Estados Unidos com a China, propõe o encerramento do país a todos os muçulmanos e é inqualificável sobre o papel das mulheres na sociedade.

Mas o que tem feito a força eleitoral de Trump é a defesa do um retrocesso isolacionista na política externa e na política económica norte-americana. Trump é um defensor do protecionismo na economia e, por isso, apresenta-se contra a globalização e os efeitos que a desregulação das últimas décadas tem tido na economia e no emprego de muitos países.

As soluções são más, mas os problemas identificados são muitas vezes reais, o que torna a mensagem de Trump apelativa, não só para os americanos genericamente descontentes com o sistema político, mas em particular para aqueles que foram atingidos pela deslocalização de empresas, pelo desmantelamento das indústrias tradicionais, pelo desemprego, pelo subemprego e pela desigualdade. A última crise económica e financeira agravou a situação e, à esquerda, Bernie Sanders, o outro candidato "fora do sistema", também tem capitalizado o mesmo descontentamento.

É que agora, nos Estados Unidos, além da clivagem que separa progressistas e conservadores, há que contar com a clivagem entre vencedores da globalização e vítimas da globalização. E agora? Será que pode acontecer o impensável? Pode Donald Trump tornar-se o próximo Presidente dos Estados Unidos?

A grande questão é se, com Bernie Sanders em breve fora da corrida, Trump não atrairá estes eleitores. É o seu discurso simples sobre o Mundo e sobre a economia mundial, e não o seu lado folclórico, que mantém viva a possibilidade real de Donald Trump surpreender uma vez mais.

É ainda cedo, mas pela primeira vez uma sondagem colocou-o à frente da principal opositora, a candidata democrata Hillary Clinton. É, pois, essencial não cometer de novo o mesmo erro e saber travá-lo.

Europa de pernas para o ar
As recentes declarações do presidente do Partido Popular Europeu (PPE), Manfred Weber, são bem o retrato de uma Europa ‘de pernas para o ar’: "Todos os instrumentos, incluindo os da vertente corretiva, devem ser usados na sua força máxima", escreve Weber, numa carta em que pressiona a Comissão Europeia a punir Portugal e Espanha por não terem respeitado o défice entre 2012 e 2015.

Durante esses anos, o PPE (onde estão PSD e CDS-PP) não regateou elogios ao anterior Governo. Agora, pede sanções porque não gosta dos resultados de uma política que ajudou a promover. Longe vão os tempos em que o PPE era uma formação de partidos democratas-cristãos, empenhados na construção de uma Europa de paz e de desenvolvimento, assente num modelo de economia social de mercado.

O que interessa agora é o cumprimento inflexível e universal das regras do Tratado Orçamental, mesmo sabendo que a sua aplicação cega é a causa da longa crise europeia. Até quando irá o nosso centro-direita conviver alegremente com esta Europa de prioridades invertidas?

Dia Internacional dos Museus
O Dia Internacional dos Museus celebra-se hoje da melhor forma, convidando os lisboetas a viverem os museus com atividades fora da oferta proporcionada habitualmente. As portas dos museus vão estar abertas a todos gratuitamente esta tarde e também no próximo sábado, dia 21, pela noite dentro. A oferta é muita e variada e estende-se a várias cidades de todo o País.
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