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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Fernando Medina

Um sistema absurdo

As pessoas sabem fazer contas.

Fernando Medina 17 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Há um debate mais importante do que o aumento do imposto sobre os combustíveis: a qualidade e o preço dos transportes públicos. O preço da circulação por carro é tão importante porque os transportes públicos não cumprem a sua função de espinha dorsal da mobilidade, sobretudo nas áreas metropolitanas.

A realidade de um sistema de transportes com uma oferta desajustada das necessidades, ilegível, incerta e em muitos segmentos absurdamente cara, tem como resultado direto o uso intensivo do carro particular, ao qual se recorre não como capricho, mas necessidade. Algo falha na política de mobilidade quando fazemos as contas aos passes e percebemos que, para as famílias que venham da periferia para Lisboa, pode ficar mais barato vir de carro para o trabalho do que de transportes.

Olhemos por exemplo para Queluz. Para quem vive nas imediações da estação da CP existe um passe intermodal, o L12. São 59,45 euros por mês. Todos os outros, e são milhares, que precisam de se deslocar de autocarro até casa precisam ainda de um passe combinado, que fica mais caro. Percebemos que não é difícil a uma família gastar 200 euros ou mais para ir trabalhar. Quem fala em Queluz, fala em quase todas as cidades da área metropolitana de Lisboa. Não surpreende assim que 80% das receitas dos transportes coletivos de Lisboa provenham da bilheteira, um valor muito superior à média europeia que anda à volta dos 60%.

As pessoas sabem fazer contas. É por isso, de resto, que Metro e Carris perderam 100 milhões de viagens nos últimos quatro anos e todos os dias continuam a entrar 300 mil carros em Lisboa. A situação degradou-se de forma inaceitável nos últimos anos e, ao arrepio do resto da Europa, desinvestiu-se na rede de transportes. Individualmente, pagamos o preço desse desinvestimento com a quantidade de tempo que se passa à espera de transporte ou parado no trânsito. Como comunidade, pagamos na poluição ou no impacto negativo na balança comercial.

Esteve bem o Governo, ao travar a concessão a privados dos transportes de Lisboa e Porto. Uma decisão que, conjugada com a descentralização de competências permitida pelo Governo anterior, abre as portas da devolução da gestão integral dos transportes às áreas metropolitanas e aos municípios.

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Papa Francisco no México  
O Papa Francisco é um ator central do debate público internacional.

De visita ao México, escolheu Juárez, na fronteira com os Estados Unidos, para enfrentar o tema da imigração. E neste sentido pode dizer-se que entrou pelas eleições americanas adentro. O fenómeno Trump deve ser levado a sério. Não por causa dos disparates que diz, mas como sintoma político de uma angústia crescente das classes médias brancas no que toca à imigração, vista como uma ameaça à segurança dos empregos e das ruas.

Trump coloca na agenda aquilo que é para muitos um problema verdadeiro, dando-lhe a resposta errada. A resposta do racismo e da segregação. As economias precisam de uma política de imigração ativa, que vá ao encontro das ofertas de emprego e contribua para a renovação demográfica, tão necessária à saúde das políticas sociais. Os desafios da imigração enfrentam-se falando verdade e apostando na inclusão. Na América e na Europa, onde os alvos não têm sido apenas os migrantes económicos, mas também refugiados que fogem da guerra e do terror. 

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Lisboa devolve 30 milhões de IRS  
A Câmara Municipal de Lisboa vai devolver este ano aos lisboetas 30 milhões de euros do IRS. Este valor é metade da receita do município com este imposto e metade do que é devolvido por todas as autarquias do país em IRS. Lisboa é também a cidade da área metropolitana, a par de Vila Franca de Xira, que cobra o IMI mais baixo, com a taxa a ser fixada em 0,3%.

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