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Fernando Medina

Uma Praça na Mouraria

Tem sido entendimento dos executivos camarários promover a inclusão religiosa e reconhecer o património dos espaços de culto.

Fernando Medina 1 de Junho de 2016 às 01:45
A Câmara de Lisboa tem desde 2009 um programa, financiado com fundos comunitários, para recuperar a Mouraria. A criação de uma Praça que permita o "atravessamento pedonal entre a Rua da Palma e a Rua do Benformoso" foi, desde sempre, um dos eixos desse programa. Estas duas artérias têm vivido de costas voltadas e a nova Praça é a cidade que se abre à Mouraria.

Em 2012 foi aprovado em reunião de Câmara, sem um único voto contra, o estudo prévio de arquitetura. São 3 blocos: um espaço de utilização público, a expansão do Arquivo Fotográfico de Lisboa e "a transferência de um espaço de culto – mesquita – já existente na Mouraria".

O custo total desta intervenção - incluindo a demolição de 4 edifícios, 2 dos quais da Câmara, e a construção das estruturas e revestimentos exteriores dos edifícios - está orçado em 3 milhões de euros. Três milhões para a reabilitação e melhorias de um espaço central na cidade e não para a mesquita - como se tem dito.

A Câmara paga apenas os toscos, o Centro Islâmico do Bangladesh paga os acabamentos da mesquita e o projeto arquitetónico de toda a Praça. Uma obra cuja qualidade está bem patente quando vemos que a autora foi uma das escolhidas para representar a arquitetura portuguesa na Bienal de Veneza.

Portugal é um estado laico e que se quer aberto e tolerante. Por isso, tem sido entendimento dos sucessivos executivos camarários promover o espírito de inclusão religiosa e reconhecimento patrimonial dos espaços de culto. Esta política tem-se traduzido, a título de exemplo, no apoio ao Centro Ismaili da Fundação Aga Khan, Centro Hindu, futuro Museu Judaico, União Budista e no apoio a mais de 10 intervenções da Igreja Católica. É o caso da Igreja do Restelo, construída em terrenos camarários. Não há, em todo este processo, qualquer tratamento de exceção a uma confissão religiosa.

Só lamento que no meio deste debate, importante sobre a ideia de cidade que temos e queremos, haja quem esconda a sua intolerância atrás do processo administrativo através do qual a Câmara toma posse de dois edifícios.

PS: Mesmo se tratando de um valor decidido judicialmente, a Câmara tem-se mostrado disponível, e assim continua, para acordar outro valor com o proprietário de dois imóveis na Rua do Benformoso.

Há festa na cidade
Junho é mês de sardinhas e de festa em Lisboa. É já hoje que começa uma longa maratona que vai levar alegria e cor a todos os cantos da cidade. Dos Olivais a Benfica, da Ajuda ao Lumiar, são mais de 100 espetáculos de música, teatro, dança, exposições e cinema ao ar livre. Lisboa, cidade de bairros, vai engalanar-se com os arraiais populares, os casamentos de Santo António e as marchas populares que, a 12 de junho, vão descer a Av. da Liberdade.

Entre outros eventos, pode ver o ‘Fado no Castelo’, com Carminho (dia 16), José Manuel Neto (17) e Ana Moura (18), no Castelo de S. Jorge. A encerrar as festas, a despedida dos palcos dos Buraka Som Sistema (1 de julho), no jardim da Torre de Belém. O Concurso das Sardinhas demonstra que, à imagem da capital, as Festas são cada vez mais cosmopolitas, dinâmicas e internacionais.

Foram entregues quase 9000 propostas, de 70 países, e dos cinco vencedores só dois são nacionais. Os espetáculos são gratuitos e o orçamento é suportado na íntegra pelos patrocinadores. As Festas de Lisboa são, e querem continuar a ser, festas populares.

A vergonha da Europa
Na última semana, pelo menos 700 pessoas perderam a vida e mais de 14 mil foram resgatadas das águas do Mar Mediterrâneo. Estes são números de uma tragédia que se repete vezes sem conta às portas da Europa, e que se juntam a um processo de acolhimento dos refugiados "vergonhosamente lento", segundo foi descrito pelo próprio Conselho da Europa.
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