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Fernando Sobral

Alma funk

O disco de Marta Ren & The Groovelvets é uma mina de ouro.

Fernando Sobral 19 de Março de 2016 às 01:45
A Soul e o Funk sempre foram o espelho das almas incandescentes que os cantavam e tocavam. Cantores e músicos que misturaram a voz com os saxofones, trombones, pianos e baterias em busca do fogo eterno. Foram o eco de uma sociedade escondida que apenas o jazz tinha trazido para palcos com outro tipo de espectadores.

Com o tempo a Soul e o Funk contaminaram todos os outros géneros. Duas grandes escolas cativaram os jovens dos dois lados do Atlântico: o som da Motown era mais urbano, fruto de uma Detroit industrial. A Stax tinha uma raiz mais rural. A Motown buscava a perfeição nos estúdios de produção. A Stax acreditava no resultado final, após sessões contínuas até encontrar o "groove" perfeito.

É aqui que chegamos a um dos mais empolgantes discos deste ano: ‘Stop, Look, Listen’, de Marta Ren & the Groovelvets. Aqui encontramos mais a alquimia da Stax do que a da Motown. O som da portuense Marta Ren e dos Groovelvets é mais cru e rude. Como sangue a ferver numa panela de grandes canções servidas por uma voz que parece vir dos confins da América ou do Northern Soul britânico.

O que espanta e cativa em Marta Ren é a forma como ela interpreta as canções e toma posse delas. O grupo, de uma qualidade superior, protege-a das forças hostis, reais e imaginadas. Basta escutar temas como ‘I’m Not a Regular Woman’ ou ‘Don’t Look’ para percebermos a mina de ouro que este disco é.

E o que surpreende ainda mais é que vamos descobrindo sempre mais pepitas douradas a cada nova audição. A alma da Soul e do Funk descobriu um porto franco para renascer e cruzar o mundo.
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