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Fernando Sobral

Associados

Os The Associates criaram excelentes canções pop.

Fernando Sobral 18 de Junho de 2016 às 01:45
De vez em quando a nostalgia vence a novidade. Obriga-nos a olhar para o passado para recordarmos cantores, grupos e sons que empolgaram uma geração. E que deixaram um legado.

A reedição dos três álbuns dos The Associates dos primeiros anos da década de 1980 (‘The Affectionate Punch’, ‘Fouth Drawer Down’ e ‘Sulk’) é um magnífico regresso ao passado. O trajecto do grupo do vocalista Billy MacKenzie e de Alan Rankine foi demasiado curto para as suas potencialidades.

Surgidos numa altura em que todas as atenções estavam voltadas para grupos escoceses (Simple Minds, Aztec Camera, Orange Juice, Altered Images), os The Associates diferenciavam-se dos seus colegas.

Temas como ‘Party Fears Two’, ‘Club Country’ e ‘18 Carat Love Affair’ eram estrelas pop absolutas, mesmo escondendo nas letras um ambiente sombrio. A voz de falsete de MacKenzie capturava perfeitamente a inocência e ambiguidade desses tempos neo-românticos. Muitos compararam-no a Scott Walker. Mas MacKenzie não queria ser a voz de uma geração, como chegou a dizer. E não estava preparado para o sucesso.

O seu desaparecimento precoce, em 1997, não fez com que a música que criou se eclipsasse. Afinal, a sua música passou o teste do tempo, como se prova quando escutamos estes velhos temas. O brilhantismo dos The Associates tem muito a ver com a capacidade de criar excelentes canções pop que envolvem sentimentos nada alegres.

A química que uniu MacKenzie e Rankine terminou em 1982, após a sua obra-prima, ‘Sulk’ (que agora surge com uma série de temas nunca editados). Mas as canções sobreviveram.
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