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Fernando Sobral

Celta

Van Morrison é muito mais do que um cantor.

Fernando Sobral 22 de Outubro de 2016 às 00:30
Van Morrison é muito mais do que um cantor. É um ícone da música, um peregrino que vem de muito longe mas que traz sempre trovas do vento que passa. É o que acontece com o seu 36º álbum, ‘Keep me Singing’: a sua voz continua colocada num ponto onde se juntam a Irlanda e a Broadway, mas as palavras estão mais amargas e ácidas. O resto está tudo lá: a influência do jazz, da soul, do gospel ou da música popular das ilhas britânicas.

Tudo junto cria um paraíso musical. Percorre-se o disco como se fôssemos em busca de algo sagrado. E encontramos isso logo no início, quando escutamos ‘Let it Rhyme’, que parece um regresso ao tema de ‘Twin Peaks’ que Angelo Badalamenti criou há muitos anos para o sonho televisivo de David Lynch. Não se busque aqui a inovação: Van Morrison já surpreendeu quando tinha de o fazer.

Não. Ele agora, com a idade, deixou-se embalar pela melancolia das palavras e da música que escutou e tocou toda a vida. Uma das grandes canções do disco é inegavelmente ‘Out in the Cold Again’, onde as cordas e o piano de Fiachra Trench ajudam a compor um dos temas mais incandescentes de Van Morrison desde há muito. Envolve-nos num fogo lento.

E há, é claro, um regresso ao passado muito claro, ou seja, aos tempos que passou em São Francisco, com ‘In Tiburon’, onde o ambiente celta e jazzístico andam de mãos dadas através de uma melodia perfeita. Neste tema, Van Morrison evoca os poetas ‘beat’, os boémios e os músicos com que se cruzou nesses tempos de criatividade superior e radical. Há músicos que nunca partem. Van Morrison é um deles.
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