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Fernando Sobral

Cleópatra

Com os Banshees, trouxe uma mitologia celta para o rock.

Fernando Sobral 31 de Janeiro de 2015 às 00:30

Siouxsie marcou uma das fases mais vibrantes da música punk. Com os Banshees, trouxe uma mitologia celta para o mundo rápido do rock. Os seus lamentos tornaram-se canções de culto. Está tudo numa compilação notável, ‘Spellbound – The Collection’. Estão ali canções que hoje soam tão jovens como então, de ‘Hong Kong Garden’ a ‘Happy House’, até ‘Cities in Dust’.

Os gritos de Siouxsie Sioux começaram antes, como parte integrante de um grupo de irregulares, o Bromley Contingent, que seguia os Sex Pistols. Mas depois o grupo juntou-se e saiu ‘The Scream’, um grito vindo das profundezas dos subterrâneos do mundo punk. ‘Kaleidoscope’, de 1980, é um marco, com canções demolidoras como ‘Light’ ou ‘Hybrid’ e pela violenta ‘Skin’, em que a vocalista pede: ‘Give me your skin for dancing in’. São canções futuristas, industriais, extremamente perigosas. Diria mesmo: actuais. Siouxsie era uma jovem controversa, irrequieta, radical no modo de vestir e de se comportar.

Chocava. Ali tudo era negro, intransponível. Essa foi sempre a mais-valia do grupo. Essa dança com os mundos sombrios está em ‘Juju’, de 1981, onde se fala de vudu, de prostituição nas margens das cidades, de morte e de terror psicológico. É um disco denso, do período imperial dos Banshees. Por esses dias, Siouxsie parecia uma Cleópatra moderna, no meio de um mundo imaginado por JG Ballard e onde o controle das câmaras de CCTV nas cidades era uma realidade. O grupo acabaria por se cansar mas regressou para alguns concertos recentes. Demolidores. 

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