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Fernando Sobral

Dandy

Bryan Ferry parece estar sempre a cantar sobre um amor ferido.

Fernando Sobral 29 de Novembro de 2014 às 00:30

Bryan Ferry, quando surgiu há quatro décadas com os Roxy Music, colocou a elegância e o bom gosto no palco da música pop e rock. As suas canções tornaram-se clássicas e esse universo requintado nunca o abandonou, entre as roupas ‘vintage’ e as mulheres de uma beleza irreal.

Ainda hoje, Ferry não tem sucessores. Ele é único, embora com o tempo se tenha tornado quase um ‘crooner’. O novo álbum, ‘Avonmore’, é outra viagem nesse ambiente clássico e ‘dandy’ que é a sua imagem de marca. Desde o seu último álbum de originais, ‘Olympia’, voltou a casar e a divorciar-se, e talvez isso explique um pouco o tom de algum remorso e anseio que se encontra em todo o disco. Ferry parece estar sempre a cantar sobre um amor ferido. Mas sem histeria. E é nas duas únicas versões que surgem no disco, ‘Send in the Clowns’ e ‘Johnny and Mary’ de Robert Palmer, que o cantor entra nas águas profundas do amor falhado.

O resto resolve com a sua elegância formal, como se tudo tivesse falhado, mas de forma pacífica. O quadro onde se move a voz de Ferry é o mesmo: guitarras, pianos e saxofones que planam sobre um fundo de bateria e baixo. Mas há também aí a qualidade das guitarras de dois convidados: Nile Rodgers (ex-Chic) e Johnny Marr (ex-Smiths). Isso cria uma textura para a voz que parece ser sempre de uma fragilidade emocionada, a de Ferry.

As canções mudam, mas o estilo não. Escute-se ‘Midnight Train’: uma canção para dançar em festas elegantes onde nem é preciso tirar o casaco. Tudo aqui é de uma beleza aristocrática. Como sempre foi. 

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