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Fernando Sobral

Ele tem o toque de Midas?

É Jesus o treinador ideal para a nova era do futebol?

Fernando Sobral 11 de Abril de 2015 às 00:30

Jorge Jesus, segundo parece, tem um toque de Midas: transforma tudo em ouro. Mas há um pormenor curioso: o Benfica, para ter sucesso a vender (e lucrar), comprou muito e muito disso vale o seu peso em chumbo.

Desportivamente, Jesus ganhou, mas não foi arrasador. Interrompeu a hegemonia total do FC Porto no futebol português, mas a ida a finais da Liga Europa não apaga a frustrante presença do Benfica na prova onde tinha de voltar a ser uma força importante, a Liga dos Campeões. Onde o prestígio e o dinheiro ganho andam de mãos dadas.

Assim não é completamente seguro que Jesus tenha uma gestão imaculada e brilhante à frente do Benfica, como se fosse alguém que fez com que os encarnados tivessem com ele uma máquina de fazer notas da Casa da Moeda. Até porque isso levanta outra questão: um treinador serve sobretudo para ganhar títulos ou para "fazer dinheiro"? São os títulos que empolgam os adeptos e não a caixa registadora. Jesus refinou pedras preciosas, como David Luiz, Fábio Coentrão, Di María, Matic ou Enzo Pérez. Mas a longa lista de jogadores que ficaram pelo caminho (foram contratados 73), e custaram muitos milhões, mostra que o seu toque de Midas não é excecional.

Acresce a isso que Jorge Jesus teve uma sorte que em Portugal só quem vai treinar o FC Porto tem tido nos últimos anos: uma direção, de Luís Filipe Vieira, que tem garantido estabilidade. Nas vésperas da fase final da Liga e da possível renovação (ou saída para o estrangeiro, pelas mãos de Jorge Mendes), discute-se o futuro de Jesus. A sua idade já não é um trunfo: chegar, sem experiência internacional, a um grande clube europeu é um risco elevado. Não é um jovem de elevado potencial, um José Mourinho ou um Nuno Espírito Santo ou um Leonardo Jardim.

Por outro lado, se ficar no Benfica, Jesus terá de se defrontar com o futuro paradigma do futebol português: sem dinheiro fácil, terá de recrutar mais nas suas academias. E isso Jesus nunca conseguiu fazer. Jogadores como André Gomes ou Bernardo Silva nunca foram verdadeiramente aproveitados por ele, nem nunca foram apostas fortes. Será ele o treinador ideal para este novo ciclo?

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