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Fernando Sobral

Para que serve uma guerra?

Bruno de Carvalho está a isolar o Sporting do mundo.

Fernando Sobral 21 de Fevereiro de 2015 às 00:30

O grande escritor irlandês Oscar Wilde deixou-nos frases perfeitas. Uma delas aplica-se como uma luva ao futebol português da atualidade: "Perdoa sempre aos teus inimigos, não há nada que eles odeiem mais." Bruno de Carvalho não deve conhecer Oscar Wilde, porque de outra forma a guerra aberta que está a travar com o Benfica não existiria. Ninguém com bom senso pode estar ao lado de quem celebra a morte de um adepto por um very light.

As declarações tristes de alguns responsáveis clubísticos também não ajudaram. Mas ninguém parece cometer mais erros, neste conflito sem sentido, do que Bruno de Carvalho. Ele parece ser um digno sucessor de Dom Quixote: carrega contra moinhos imaginários. E as suas declarações parecem apenas ajudar a incendiar a planície. Por muito astuto que pareça, há algo de infantil e autodestrutivo nas redações que Bruno de Carvalho vai escrevendo no Facebook. O seu sectarismo só convida à crispação. E, com isso, cria tensão na sua própria equipa de futebol, contagiada pelos adeptos.

Veja-se o nervosismo de Rui Patrício no jogo contra o Belenenses, agora que parecia haver alguma paz entre o treinador e o presidente do Sporting. Bruno de Carvalho dispara em todas as direções como um pistoleiro do Velho Oeste que tropeçou nas próprias esporas.

O futebol é um espetáculo, e um negócio necessita de limites. Senão o descrédito de uma instituição alarga-se. O futebol é luta mas não é guerra civil. Um clube não tem de ter inimigos todos os dias. Uma coisa é indignar-se. Outra é passar os dias a fazer soar tambores da guerra.

O Sporting precisa de se libertar desta câmara de eco onde a necessidade de protagonismo do presidente ameaça a estabilidade de um clube que é um dos mais importantes de Portugal e que deveria lutar sempre pelo título. Mas, ao isolar-se do mundo e ao descobrir inimigos diferentes, acaba por comprometer o seu passado e futuro. Sporting e Benfica precisam de se sentar à mesa. E de falar sensatamente. Mesmo que cada um procure ganhar dentro do relvado, com energia e amor ao clube.

Guerra não é paz, ao contrário do que acreditava o ‘Big Brother’ de George Orwell.

Um grande negócio de muitos milhões

O nervosismo é crescente em Espanha. E também noutros países. O acordo coletivo dos clubes da Premier League com a Sky e a BT Sport, no valor de 5,2 mil milhões de libras para o período entre 2016 e 2019, ameaça tornar os emblemas ingleses imbatíveis na altura de comprar os melhores jogadores. Em Espanha, Real Madrid e Barcelona recebem metade dos direitos televisivos distribuídos. Mas agora, comparado com o que um clube inglês vai receber, parecerão pobres. O clube inglês que receber a quantia menor do acordo da Premier League vai amealhar 106 milhões de libras por época, enquanto Real Madrid e Barcelona vão receber 110 milhões de libras.

Mas agora, com mais dinheiro dos direitos televisivos (e com proprietários ricos, como no Chelsea ou Manchester City), a luta nas competições internacionais será diferente. Os clubes ingleses terão os melhores jogadores. Como reagirão Real Madrid e Barcelona?

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