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Fernando Sobral

Rastas

À boleia de Bob Marley, muitos músicos conseguiram um lugar ao sol.

Fernando Sobral 3 de Setembro de 2016 às 00:30
O ano de 1976 foi inesquecível para o Reggae jamaicano. A música nascida nas ruas da ilha das Caraíbas conhecia a sua aspirada globalização. O álbum ‘Rastaman Vibration’ de Bob Marley & the Wailers conseguia chegar ao top 10 de vendas nos Estados Unidos. As guitarras, os sintetizadores e o ritmo que embalava delicadamente os corpos tornavam irresistível a voz e as palavras cantadas pelo ídolo maior do Reggae, Bob Marley.

Era um tempo de mudança para a música que sintetizava o mundo violento que se vivia há muito na Jamaica, o sonho do regresso a África (representada pela Etiópia, cujo imperador Hailé Selassié era visto como um messias pelo movimento Rastafari), os diferentes sons que emergiam das festas de rua animadas pelos ‘sound systems’, e o confronto político.

Selassié morrera em 1975, mas legara um sonho. Porque o Reggae sempre foi impossível de ser compreendido fora das lutas políticas e raciais da Jamaica. Foi um ano histórico para os Wailers: Peter Tosh (que trabalhava com dois dos melhores músicos do Reggae, Sly Dunbar e Robbie Shakespeare), lançava ‘Legalize It’ e Bunny Wailer avançava com ‘Blackheart Man’. Seriam discos que teriam um impacto supremo no Punk britânico, abrindo também as portas à redescoberta do Ska. E, à boleia do sucesso de Bob Marley, muitos músicos haveriam de conseguir garantir um lugar ao sol nos anos seguintes. A influência da editora Island de Chris Blackwell, que tinha conexões na Grã-Bretanha, também fora fundamental para o reconhecimento. Em 1976, o Reggae era a "next big thing".
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