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Francisco J. Gonçalves

'Até tu, Brutus?'

Sonhem enquanto podem os angolanos e festejem enquanto podem os cidadãos do Zimbabwe.

Francisco J. Gonçalves 20 de Novembro de 2017 às 00:30
É famosa a frase que Shakespeare atribuiu a Júlio César antes de morrer apunhalado por um grupo de senadores, ente eles o estimado filho adotivo Marcus Brutus. O lendário 'Até tu, Brutus!?' de César simboliza o fim trágico dos déspotas, mais tarde ou mais cedo traídos por aqueles com quem partilharam a mesa e algumas migalhas de poder.

Em África, José Eduardo dos Santos e, sobretudo, Robert Mugabe, exemplificam esta máxima, embora sejam, mais que déspotas benévolos, como César, ditadores mal intencionados. Um e outro vão desaparecer em breve no horizonte de uma História na qual não deixam saudades; um e outro arrastados por antigos aliados.

Virá depois, talvez, um poder igualmente corrupto, onde mudará apenas o estilo e os beneficiários em negociatas idênticas. Para mal dos pecados de angolanos e zimbabueanos, custa crer em amanhãs benévolos. Por isso, sonhem enquanto podem os angolanos e festejem enquanto podem os cidadãos do Zimbabwe, pois o novo dono do país, seja ele quem for, acabará por revelar uma faceta despótica, por vocação ou 'destino', ou não fosse África o vazadouro das mais torpes cobiças.
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