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Francisco J. Gonçalves

Córdova da intolerância

O Islão não é só paz nem é só guerra.

Francisco J. Gonçalves 6 de Maio de 2015 às 00:30
É costume dizer-se que o domínio islâmico na Península Ibérica, o al-Andalus, foi marcado por uma harmonia e tolerância religiosa que o poder cristão negava nos territórios conquistados. Há talvez tanto de lenda nessa visão idílica como na ideia da benfazeja expansão dos portugueses pelo mundo.

Certo é, contudo, que a ‘lenda’, com Córdova como símbolo máximo, representa valores de convivência que cabe preservar em tempos de renovada intolerância.

O Islão não é só paz nem é só guerra. É, como todas as outras religiões, fonte de valores positivos e pretexto para práticas intolerantes.

Mas a Córdova da tolerância, espelhada na mesquita-catedral, que no seu passado e no que o edifício preserva faz conviver duas religiões que um dia se guerrearam, está ameaçada por uma vaga intolerante.

Os folhetos que em 1981 falavam do "mais destacado monumento do Ocidente Islâmico" sublinham agora o passado cristão, menorizando a óbvia e grandiosa herança muçulmana.

Lamenta-se que, com iniciativas destas, a Igreja alimente as querelas e preconceitos que fazem Espanha bater recordes de islamofobia na UE.
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