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Francisco J. Gonçalves

Morte nos Comandos

As mortes de Dylan Silva e Hugo Abreu têm de ter consequências.

Francisco J. Gonçalves 26 de Outubro de 2016 às 01:45
As Forças Armadas não são uma escola de virtudes. Quem fez o serviço militar nos tempos em que ainda era obrigatório já ouvia contar histórias de crueldade e abuso de poder nos comandos, nos paraquedistas, nos fuzileiros. E não eram exceções, faziam parte de uma norma perpetuada por quem sobrevivia às praxes e aos castigos, fosse com o silêncio cúmplice ou com o louvor do sadismo reinante.

O poder é assim mesmo, atrai particularmente os que dele podem fazer as piores utilizações e acaba por seduzir os mais fracos, que a ele se submetem, que o interiorizam e que, em maior ou menor escala, o imitam e perpetuam.

Por tudo isto suspeitei desde cedo que a morte dos dois recrutas dos comandos em Alcochete tinha mão de ‘doentes mentais’. Que a cadeia de comando permita a promoção e a ação descontrolada de pessoas sem caráter e sem humanidade envergonha as Forças Armadas, do mais baixo ao mais alto da hierarquia.

As mortes de Dylan Silva e Hugo Abreu têm de ter consequências. Mas, lamentavelmente, a punição dos responsáveis diretos será insuficiente, pois não mudará um sistema que está viciado há muito e que há muito precisa reforma.
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