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Francisco J. Gonçalves

O jardim do ódio

Dizermos que o mundo está globalizado é já uma banalidade.

Francisco J. Gonçalves 30 de Agosto de 2017 às 00:30
Dizermos que o mundo está globalizado é já uma banalidade, pois viajar para todo o mundo em poucas horas é-nos tão natural como ligar o telemóvel. Mas esta globalização do lazer tem hoje um contraponto na globalização do ódio.

O terrorismo islamita tornou-se global porque sonha com o fim desse mundo de prazer global de que cada vez mais pessoas usufruem.

O terror, contudo, não está a unir o mundo civilizado contra os fanáticos, pois a par da ‘aldeia global’, e em reação a ela, regressam com força renovada os tribalismos nacionalistas.

Na Catalunha, por exemplo, quer-se que o combate ao terror seja coisa regional, por se entender que isso reforça a ideia de independência, e cresce ali com especial vigor a ‘turismofobia’, nova encarnação nacionalista segundo a qual os turistas são ervas daninhas das economias locais.

Nesta forma de pensar tribal, há um fanatismo que aproxima nacionalistas e islamitas. É que o terror alimenta-se da ideia de que o diferente não deve viver junto e que as fronteiras são boas para nos isolar do ‘outro’.

E é neste jardim de exclusão que nacionalistas e terroristas se encontram. Por mais que a convivência não lhes agrade. 
Francisco J. Gonçalves opinião
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