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Francisco J. Gonçalves

O sonho de Fidel Castro

Morreu o homem que se julgou imortal e fabricou para o mundo a imagem de messias e herói do povo.

Francisco J. Gonçalves 30 de Novembro de 2016 às 01:45
Morreu o homem que se julgou imortal e fabricou para o mundo a imagem de messias e herói do povo. Fidel Castro, relíquia da Guerra Fria, preservou como pôde a imagem de lobo da montanha que derrubou um regime apoiado pelos EUA.

A questão interessante, agora que morreu, não é saber se foi ditador ou herói. A questão interessante é perceber por que razão tantos persistem em ver só o símbolo, ignorando os crimes que a História julgará com menos benevolência do que ele pensou.

Que foi um ditador sabemo-lo, desde logo porque ninguém em Cuba pode escrever isto sem arriscar prisão, ou pior. Mas, hipnotizados pelo ícone de libertador e justiceiro, esquecemos o homem real, egoísta e megalómano, que tudo submeteu à sua vontade e que exigia submissão absoluta aos seguidores.

Matou milhares sem nunca manchar pessoalmente as mãos e vergou Cuba à sua vontade. Mas o que deixa não é obra para a História, é uma ruína.

Que Fidel possa ainda fascinar revela menos sobre ele e mais sobre o nosso gosto por símbolos, heróis e quimeras, e sobre a nossa relação difícil com a realidade, especialmente quando a verdade crua dos factos mata a fantasia.
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