Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
8
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco J. Gonçalves

O jogo de Putin na Síria

Neste nosso pensar precipitado e mesquinho esquecemos que em jogo na Síria está mais do que parece.

Francisco J. Gonçalves 10 de Fevereiro de 2016 às 00:30
Na Europa, a maioria de nós não gosta da Síria. O país é associado a muitas coisas negativas e culpamos até os refugiados por fugirem das ruínas para sobreviverem a uma morte certa. Mas neste nosso pensar precipitado e mesquinho esquecemos que em jogo na Síria está mais do que parece: está o destino de toda a Europa.

Exagero? Então vejamos o papel da Rússia na barafunda em que se tornou aquele país. Ao entrar na guerra, a Rússia de Putin acabou com as vagas esperanças de uma solução pacífica para o conflito. O cerco a Aleppo é exemplo disso. A cidade é a maior da Síria e alberga os focos mais importantes de resistência dos chamados ‘grupos moderados’ de oposição a Assad.

Ao destruir essa resistência, a Rússia garante que no terreno ficam somente duas fações rivais: o exército sírio, de um lado, e do outro os radicais islâmicos do Daesh e da Frente al-Nusra (‘filial’ síria da al-Qaeda).

Quando esta estratégia surtir efeito, e está a revelar-se extremamente eficaz, haverá alguém interessado numa solução diplomática para o conflito?

Mas o melhor para a Rússia é que este caos alimenta o êxodo de refugiados e este divide a UE. Putin não podia estar mais feliz.
Europa Síria Rússia Putin guerra Assad Aleppo al-Qaeda Putin
Ver comentários