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Francisco J. Gonçalves

Um Quixote em Israel

Israel é um país em guerra desde a sua fundação, em 1948.

Francisco J. Gonçalves 25 de Março de 2015 às 00:30

Os seus principais inimigos são os movimentos palestinianos e os vizinhos árabes, mas o PM israelita, Benjamin Netanyahu, gasta todas as munições a acusar o Irão, suposto grande patrocinador do terrorismo internacional. Ao dizer isto, finge desconhecer que o Estado Islâmico e a Frente al-Nusra, ‘filhos’ da al-Qaeda, são sunitas e por isso inimigos figadais do Irão xiita.

O Irão, é certo, repetiu ameaças de extermínio de Israel e patrocina o Hezbollah, grupo libanês que ciclicamente ataca o Estado judaico. Mas Netanyahu mistura alhos com bugalhos. Arábia Saudita, Qatar e Paquistão, países sunitas, são, eles sim, os maiores financiadores dos radicais islâmicos. Acresce que o reino saudita gasta milhões na disseminação mundial do wahabismo, ou salafismo, leitura ultraconservadora do Islão perfilhada pela al-Qaeda e pelos seus herdeiros.

Israel extrapola o risco do Irão por conveniências várias. Tem direito a fazê-lo, mas o Mundo tem o dever de corrigir os excessos e de lembrar a Netanyahu a lição de D. Quixote, pois quem combate moinhos de vento não tem destino risonho no horizonte.

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