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Francisco José Viegas

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Na Finlândia, o país de onde veio o conde Steinbroken, de ‘Os Maias’, as autoridades da educação decidiram abandonar, a partir de 2016, a prática da "letra cursiva", passando a privilegiar o uso da letra de imprensa na escrita manual.

Francisco José Viegas 29 de Dezembro de 2014 às 00:30

Na Finlândia, o país de onde veio o conde Steinbroken, de ‘Os Maias’, as autoridades da educação decidiram abandonar, a partir de 2016, a prática da "letra cursiva", passando a privilegiar o uso da letra de imprensa na escrita manual. Haveria uma vantagem em Portugal: desapareceria aquilo que é uma das caligrafias mais imbecis do mundo, a chamada ‘letra de médico’ – o contrário daquilo que deve ser a letra cursiva (elegância, clareza, respeito pelo leitor, expressão de personalidade) – além de se notarem mais os erros ortográficos. De certo modo, os finlandeses (certos de que no futuro estaremos condenados ao teclado) têm do seu lado a chamada "razão prática". No universo digital, a caligrafia é uma arte perdida, condenada a ser apenas memória do tempo em que apreciávamos o papel, a tinta, os arabescos, o traço, ou um bilhete escrito à mão. Não é uma catástrofe; apenas um sinal frio do tempo.

Citação do dia

"A estátua de Eusébio representa virtuosismo; a de Ronaldo exibicionismo. Outros tempos."

Eduardo Cintra Torres, ontem, no CM

Sugestão do dia

Livros do ano (10): Em tempos de crise e de falta de humor, leia-se ‘Perfumes Eróticos em Tempo de Vacas Magras’, de Manuel da Silva Ramos (edição Parsifal): um autor que merece ser descoberto e redescoberto todos os dias. 

Finlãndia país mais Steinbroken
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