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Francisco José Viegas

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Não concordo com a ideia de que os livros de Raduan Nassar são de "intervenção política".

Francisco José Viegas 31 de Maio de 2016 às 01:45
Densidade, clausura, minúcia, celebração, libertação – lembro-me disto a propósito de ‘Lavoura Arcaica’ (1975), de Raduan Nassar, e da impressão que o livro me deixou na altura, contando a história de um homem que recusa o fechamento da vida rural.

‘Um Copo de Cólera’ (também na Relógio d’Água), que Nassar publica dois anos depois, em 1978 (aos 43 anos), mostra a outra face da sua escrita, a busca de uma modernidade ousada e libertária, numa história de desamor conturbada – e que continua nos cinco contos de ‘Menina a Caminho’ (Cotovia), o terceiro e derradeiro livro, de 1997.

Há outros sinais que me comovem: a herança da contemplação e de uma certa "melancolia libanesa" (é filho de emigrantes libaneses), as leituras do Corão e da Bíblia, o desprendimento da língua que procura uma espécie de pureza e de simplicidade, de contenção, de procura do essencial.

E não, não concordo com a ideia de que os seus livros são de "intervenção política", como ontem se disse. Tudo é, tudo pode ter essa intervenção, mas não é isso que marca a grande beleza dos seus livros: é a beleza, propriamente dita.
Raduan Nassar Prémio Camões Brasil literatura
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