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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco José Viegas

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Estávamos em 1985 e era um grupo memorável de artolas que fechava a edição semanal do ‘JL’, o ‘Jornal de Letras’, à sexta.

Francisco José Viegas 3 de Outubro de 2017 às 00:30
Estávamos em 1985 e era um grupo memorável de artolas que fechava a edição semanal do ‘JL’, o ‘Jornal de Letras’, à sexta. Havia dois momentos de pânico: um, quando o diretor aparecia na reta final e revolvia os bolsos onde tinha guardado rascunhos de notícias; outro, quando olhávamos para a última página e ainda não estava lá o ‘Coelhinho’, a coluna fixa de Jorge Listopad (1921-2017), doze linhas apenas, divertidas e absurdas. Como se Kafka tivesse tomado a caneta do seu conterrâneo (ambos nasceram em Praga). Todas as semanas escrevia: crítica de teatro, memórias, leituras, cinema, o que fosse. Português desde os anos 50, fugindo do nazismo e do comunismo, a sua biografia era tão flutuante e surpreendente como a sua imaginação: havia Paris, gente do teatro e da literatura, o Porto (onde primeiro vivera e trabalhara na RTP, conhecendo Agustina ou Eugénio), mas havia sobretudo o extraordinário mundo do teatro. Encenou Lorca, Gogol ou Strindberg, entre muitos outros. Foi multipremiado. E era o ‘Coelhinho’ na última página do jornal, aquele que ria por todos os outros. Morreu domingo.

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Citação do dia
"Nesta fase de leilão das esquerdas, à direita, Cristas está a afirmar-se", Octávio Ribeiro, ontem, no CM

Sugestão do dia: Enid Blyton 
Ainda faltam cinco dias para encerrar, na Biblioteca Nacional de Lisboa, a exposição dos 120 anos do nascimento de Enid Blyton e aos 75 que assinalam o início da publicação da série ‘Os Cinco’.
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