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Francisco José Viegas

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Ao contrário do que acontecia com a tradição universitária que mandava discutir, arriscar e contrariar, as novas gerações "protegem-se do perigo" – nos EUA criaram "zonas seguras" onde os estudantes não podem ser "agredidos" com discursos que os contrariem ou contenham ideias maléficas.

Francisco José Viegas 12 de Fevereiro de 2021 às 00:30
Ao contrário do que acontecia com a tradição universitária que mandava discutir, arriscar e contrariar, as novas gerações "protegem-se do perigo" – nos EUA criaram "zonas seguras" onde os estudantes não podem ser "agredidos" com discursos que os contrariem ou contenham ideias maléficas. No Reino Unido, vigiam-se bem as audiências, proibindo-se conferencistas importantes mas discutíveis e cujos livros possam ser "problemáticos".

Basta sair um pouco do cânone. Veja-se a universidade de Durham (RU), onde a associação de estudantes exige ser informada do tema das conferências com duas semanas de antecedência, ou de quatro se o tema for "controverso" – caso em que o texto da conferência deve ser conhecido previamente, a fim de não conter referências racistas, misóginas, transfóbicas ou homofóbicas, anti-semitas ou colonialistas. Os estudantes têm o direito, diz a comandita que governa a universidade, de não serem incomodados com ideias desagradáveis. Em silêncio, isso já se passou entre nós. Os nossos antepassados, que criaram a Europa e discutiram com intensidade e paixão, devem estar a rir.

Livros para o isolamento, 16.
Perdido na transição do século XIX para o século XX, Fialho de Almeida merece ser resgatado – escreve como um diabo, cheio de malícia, fúria e sem-vergonha. Recomendo ler ‘Os Gatos’ para iniciar.
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