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Francisco Moita Flores

A euforia terrorista

Este grupo de bandidos não se importa de assumir a autoria destes atentados.

Francisco Moita Flores 24 de Julho de 2016 às 00:42
Na semana passada, refletindo sobre o massacre em Nice, cometido por um tresloucado, bêbado, desequilibrado e sem causas, a conduzir um camião, nesta página chamava a atenção para a maneira fácil com que se mete no saco do terrorismo do Daesh qualquer manifestação de violência que assente na espetacularidade dos atos cometidos e na determinação mortífera  dos seus autores.

É como se se apossasse de analistas, comentadores, uma euforia bastarda que, nas finalidades últimas, é um serviço ao grupo terrorista islâmico. Já se tinha passado com o morticínio em Orlando, nos EUA, levado a cabo por um homossexual perturbado contra uma discoteca frequentada por homossexuais. Agora, foi na Alemanha. Em Munique. Outro jovem, com problemas psicóticos, assassinou e feriu quase três dezenas de cidadãos.

A sucessão de casos é já bastante para reconhecermos que estes terroristas (porque de atos terroristas se trata) são casos de perturbação mental, fascinados pela visibilidade dramática da violência. Uma sedução assassina realizada a partir dos modos de atuação de terroristas do Daesh, amplificados pela cobertura mundial que a comunicação social e as redes sociais empolam até à dramatização radical. E aí está o suicídio-espetáculo, arrastando consigo para a morte vítimas a eito, tal e qual o reflexo mimetizado dos ataques levados a efeito pelo Daesh. E este grupo de bandidos, enfraquecido, embora com uma grande máquina de propaganda montada, não se importa de assumir a autoria destes atentados, porque cumpre um dos objetivos da organização: lançar e afirmar o medo generalizado.

Este é um fenómeno novo que tende a generalizar-se. Que obriga à reflexão e à prudência. É que a euforia antiterrorista toma a nuvem por Juno e mistifica soluções genéricas para casos específicos. É tempo de perceber como se gera a cultura do ódio. Para que se possam abrir caminhos de paz.
Nice Orlando EUA política
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