Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
7
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Abril com cinismo

Na verdade, o que esta rapaziada queria era impor regras para que lhes dessem atenção.

Francisco Moita Flores 26 de Abril de 2015 às 00:30

O que terá levado os três grandes partidos do poder, tão desentendidos que andam em torno dos grandes problemas nacionais, a entenderem-se tão rapidamente, na elaboração de uma proposta que condicionaria a liberdade de imprensa durante os períodos eleitorais? O que os une, neste afã de criar comissões de fiscalização, ameaçar com multas exorbitantes quem não mostrasse o que vai publicar, e os termos da publicação, durante a campanha eleitoral? O que leva os seus dirigentes máximos a desdizer à noite aquilo que afirmaram no papel durante o dia, e concordaram fraternalmente, como uma primeira mordaça à livre expressão e informação?

O que leva esta gente que se empanturra de cravos, de manifestações e declarações indignadas contra os assassinos que ameaçaram o ‘Charlie Hebdo’, a querer fazer na sua terra aquilo que rejeitam que aconteça nas terras dos outros? E logo na véspera do 25 de Abril? Da data que, entre outras coisas, comemora a libertação da censura e do exame prévio? Que foi a porta por onde entrou a liberdade de expressão e de informação?

Na verdade, estas criaturas têm a liberdade na ponta da língua mas bem longe do coração. O que estes partidos se propunham fazer, mas já não propõem assustados com o clamor que contra eles se levantou, era esconder o cinismo por detrás de uma lei que, eventualmente envergonharia o seu passado de construção da democracia, mas que perdeu a vergonha quando os valores de cidadania foram trocados pelo oportunismo mais sebento.

Na verdade, o que esta rapaziada queria era impor regras para que lhes dessem atenção. Porque sabem como são vazios e intragáveis os discursos de promessas que não cumprem e de propaganda ditada pela moda, sem princípios nem objetivos patrióticos. O que estes partidos não percebem, e mais uma vez queriam esconder, é a imbecilidade congénita dos pregões sem sentido, servis aos interesses de estranhos, vergados ao poder do capital financeiro que os tornou cativos e dos quais nos querem em cativeiro.

Ao sentirem o estrondo da revolta, foi vê-los virar o bico ao prego, escapando a galope para discursos de pompa, balofos e cínicos, onde repudiavam o golpe que tinham em marcha. Foi uma lição que não aprenderão mas que temeram. Na verdade, em Abril, não se brinca com a Liberdade!

Ver comentários