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Francisco Moita Flores

Dia da mãe

Todos nós somos herança da partilha uterina onde aprendemos o afeto

Francisco Moita Flores 3 de Maio de 2015 às 00:30

Hoje celebra-se o Dia da Mãe. Um reconhecimento coletivo à maternidade, ao primeiro dos afetos. Um amor que nos acompanha por toda a vida e continua, para além do tempo, quando as nossas mães já partiram, e da sua presença e da sua memória ficam saudades perpétuas, das quais não nos libertamos.

Também é um dia especial para evocar todas as mães e, em particular, aquelas para quem a vida foi madrasta. O ano passado, quarenta e duas mulheres assassinadas pelos maridos e companheiros deixaram muitos filhos órfãos. Este ano já foram assassinadas doze. E nos últimos dez anos foram abatidas cerca de quatrocentas, sobrando mais de seis centenas de órfãos.

Convém não esquecer estas mães, para que o combate pela cidadania, pela igualdade de género seja mais do que um estribilho ou um momento de generosa retórica política. Já agora, convinha que esta evocação fosse um testemunho solidário com todas as mães que criam os seus filhos abaixo do limiar da pobreza, àquelas que lutam por um emprego para devolver dignidade à sua vida familiar. Àquelas mães que fazem fila, à porta das instituições assistenciais, para receberem a refeição possível para que os filhos não passem fome.

Era saudável não esquecer as mães solteiras. E as outras, que com divórcios litigiosos ou de mútuo acordo, foram abandonadas na responsabilidade de educar os filhos. Maltratadas, vigarizadas por maridos que se borrifam para a educação dos filhos, as pensões de alimentos, fazendo letra morta das decisões dos tribunais.

E ainda aquelas que, em silêncio, continuam a ser vítimas de violência física e psicológica, perseguidas, brutalizadas, por vezes, anos depois das separações.

Também não queria esquecer as mães escondidas em refúgios de acolhimento para se salvarem da violência.

São mães e filhos escondidos, à guarda das autoridades, à espera que os tribunais decidam os destinos dos selvagens que as maltratam.

E, por fim, um abraço a todas as mães pelas lições de amor infinito. Pela dádiva sem cuidar de receber que entregaram ao mundo.

Todos nós somos herança da partilha uterina onde aprendemos o afeto.

Um bom Dia da Mãe para todas as mães de Portugal!

Dia da Mãe questões sociais família maus-tratos
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