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Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Francisco Moita Flores

Lobos solitários

Não são do Daesh. São terroristas sem causa. E uma dor de cabeça, se a moda pega.

Francisco Moita Flores 17 de Julho de 2016 às 00:30
Tenho sérias dúvidas de que o terrorista que provocou o inferno em Nice seja um radical do Daesh. Segundo testemunhos, não frequentava a mesquita, embebedava-se, comia carne de porco, divorciara-se da mulher. Era introvertido, agressivo, com rasto criminal e sem qualquer indicação dos serviços de informações franceses de ligação a grupos radicais. Segundo as notícias, estava desempregado, e diz o pai que ele era doente mental.

Acrescem a estas inquietações que o colocam foram da prática religiosa e o encaminham para a esfera dos brigões e delinquentes as contradições das autoridades francesas. Passadas mais de 48 horas sobre a carnificina, continua um silêncio de chumbo. Sabe-se que detiveram a ex-companheira para interrogatório e ouvimos declarações contraditórias dos responsáveis políticos. Nem notícias de outras detenções, nem buscas a correligionários. Apenas um comunicado que aparenta ser do Daesh a reclamar o ataque. Também desconfio do comunicado. Qualquer massacre é hoje reclamado pela organização terrorista. Um sinal de fraqueza que quer demonstrar força. Pressinto que a decisão assassina deste homem apenas se inspirou nas práticas genocidas do Daesh para exteriorizar o seu ódio, as suas frustrações, revoltas interiores que terão morrido com ele. Tal como o assassino de homossexuais numa discoteca nos EUA.

Se tiver razão, e espero não ter, estamos perante um fenómeno novo. O recurso a mimetismos por parte de indivíduos sem qualquer vínculo familiar, social ou político que decidem suicidar-se, matando aqueles que culpam pela sua amargura ou desajustamento. São frequentes casos assim, porém com menor número de vítimas, e quase sempre no âmbito de violência doméstica. Pela invulgaridade, são indivíduos de quem as polícias pouca ou nenhuma informação têm. Não são terroristas do Daesh. São terroristas sem causa. E uma dor de cabeça, se a moda pega.
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