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Francisco Moita Flores

Novela Banif

Carlos Costa já é o bode expiatório da tal “falha grave” que o governo (...) repete à exaustão.

Francisco Moita Flores 24 de Abril de 2016 às 00:30
As explicações e posições assumidas pelo Banco de Portugal, o Governo e BCE sobre o fim do Banif tendem a tornar- -se numa novela mexicana que ameaça ser num novo pesadelo bancário para os contribuintes. Aquilo que deveria ser um ato de gestão cauteloso, devido ao triste histórico de destruição de bancos nos últimos anos, está tornar-se numa disputa política de pacotilha, tendo como principais protagonistas o Governador do Banco de Portugal e o Governo. E tornou-se num braço de ferro tão desnecessário como fútil.

É sabido que a destituição de Carlos Costa, entre outros motivos mais complexos, pode basear-se numa constatação genérica que existe uma falha grave. E não houve alma mesquinha que não tenha repetido até à saciedade que o homem cometeu uma falha grave. Porque informou, porque não informou, porque se calou, porque não se calou. Secretários de Estado, ministros, o Bloco em peso, já encontraram tantas falhas graves que só falta anunciar o dia em que o homem é corrido a pontapé.

Carlos Costa defende-se, e não percebe que defendendo procedimentos corretos ou incorretos, não sei, está apontado para ser o vilão que destruiu o Banif. Basta ouvir o que se diz na Comissão de Inquérito. Não há administrador que se recorde do que se passou, não existe responsável que soubesse. Os ministros não sabiam (nunca sabem!) e, portanto, agora mais do que no BES, Carlos Costa já é o bode expiatório da tal "falha grave" que o governo e os seus aliados repetem até à exaustão. É indigno este jogo. Se o homem cometeu a "falha grave", que o demitam já. Arrastar a novela pode dar mais uns votos aos aliados da frente popular, porém é risco acrescido para as nossas algibeiras. Quando esta gente se entretém a brincar com a destruição de bancos, já se sabe quem paga o bilhete. O desgraçado do contribuinte que não foi visto nem chamado para este circo de nojo.
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