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Francisco Moita Flores

O clubismo

As carreiras gloriosas que os clubes construíram não precisam de alarves e bandidos.

Francisco Moita Flores 23 de Abril de 2017 às 00:31
Escrevo esta crónica enquanto decorre o jogo entre o Sporting e o Benfica. Sou sportinguista. Não espanta que deseje que o meu clube ganhe o jogo. Tal como não surpreende um benfiquista desejar o mesmo para a sua equipa. O futebol é um jogo de paixões e de afeições.

Ninguém é de clube nenhum. Pode ser sócio ou vagamente simpatizante, porém, é um território global onde a livre escolha torna este desporto no grande espetáculo que é  manifestação de criatividade, de liberdade, que tem como palco central, e exclusivo, um campo retangular com duas balizas e vinte e dois jogadores. Porém, fora deste relvado, tem vindo a crescer um movimento de provocações, agressões, cantigas obscenas, que teve seu epílogo antes do jogo que agora decorre.

Adeptos terão matado um adepto do clube rival. Pouco importa quem. Importa sublinhar que as fações e claques dos três principais clubes poderiam ter cometido este ato criminoso. Porque não são apaixonados pelo futebol. Sofrem de clubismo radical, uma das antecâmaras da alienação que conduz ao fascismo e à violência radical. E que não haja dúvidas. Os presidentes dos clubes têm a grave responsabilidade pelo fomento deste tipo de atividade neonazi ou neofascista, quando a sua obrigação é fomentar a exemplaridade cívica e desportiva. Pela simples razão que têm estatuto de utilidade pública. Porque são seguidos por milhões de admiradores. Bruno de Carvalho, Pinto da Costa, Filipe Vieira têm essa obrigação perante os seus adeptos e os portugueses. As carreiras gloriosas que os seus clubes construíram não precisam de boçais, alarves, bandidos e assassinos para granjear prestígio.

O futebol é o grande espaço da liberdade. Por isso, o espaço da diferença, da alegria e da emoção. Urge que ensinem esta lição à canalha rasca que diminui em vez de engrandecer este mundo de tanta paixão. Espero que o Sporting ganhe. Se perder, os meus cumprimentos aos benfiquistas. Com amizade.
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