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Francisco Moita Flores

O mito de Madalena

Marcelo tomou partido pelo putativo mentiroso Ministro das Finanças.

Francisco Moita Flores 12 de Fevereiro de 2017 às 00:30
O debate político oficial chegou a este nível. A palavra mais ouvida nesta semana na contenda entre a gerigonça e a oposição é a mentira. Chamam-se mentirosos uns aos outros com a mesma facilidade com que um arrumador de carros arrasa um automobilista que não lhe dá dinheiro para a ganza. Tudo isto a propósito da Caixa Geral de Depósitos. Nem Marcelo foi capaz de se conter e tomou partido pelo putativo mentiroso ministro das Finanças. É pena o Presidente da República levar tão longe o seu esforço de apaziguamento. Quando a coisa entra no domínio da estrumeira, devia afastar-se para que sobre alguma assepsia em tudo isto.

É claro que o PSD e o CDS têm razão. Os níveis de compromisso que o governo, através do seu ministro das Finanças, assumiu para remodelar a administração da Caixa estavam para além do que a lei impunha. É verdade que tudo foi tratado com a ligeireza com que este governo vai tratando a ‘res publica’, de vitória em vitória até à derrota final, ou seja, nova bancarrota. Mas felizes e sorridentes. Não sei se mentindo, mas seguramente iludindo, acenando com trocos devolvidos e promessas de ódio a qualquer troika. Demos tempo ao tempo. A vida se encarregará de nos mostrar o abismo outra vez.

Por outro lado, nem o PSD nem o CDS podem assumir esta posição tão brutal sobre as eventuais mentiras do governo. Quem se recorda do seu governo, ao ouvir esta querela de comadres, recorda-se do episódio bíblico de Madalena: "Aquele que estiver sem pecado, que lhe atire a primeira pedra!" Era decente que deixassem o banco público em paz. Paulo Macedo merece essa tranquilidade para gerir a Caixa e as pedradas que se escutam sob a forma de insultos são passado. Ou melhor, são espuma frívola do passado. Enquanto esta discussão durar com tal nível de ordinarice, aconselha-se que os mais novos não vejam TV à hora dos noticiários. É puro ato de higiene.
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